Há no vocabulário bíblico, entre outras, três palavras que eu
considero especial. Tenho por mim que o correto entendimento do significado de
tais coisas certamente irá enraizar o firmamento da fé que temos. Expiação,
Justificação e Propiciação. Claro que não pretendo
esgotar o assunto, mas ter um início já é o suficiente para gerar em você um
desejo de se aprofundar no assunto.
A gente tem o costume de falar sobre as coisas sem refletir no que
elas representam de verdade. Toda vez que eu penso na profundidade dessas
palavras começo a sorrir sozinho, lembro-me o quanto elas são importante para
determinar minha convicção do quanto sou amado. Então, vamos lá!!!
Pano de Fundo:
Antes de entender o que são tais coisas, é preciso primeiro entender a razão e
a necessidade de tais coisas. E é isso: Deus é Santo, o que significa que nele
não há pecado algum, mais que isto, que Deus não pode relacionar-se ou ter
parte com qualquer coisa afetada pelo pecado, visto que o pecado é
essencialmente contrário à natureza de Deus. Como sabemos, o homem é
completamente afetado pelo pecado. A Bíblia diz que ele já nasce em pecado (Gn
8:21; Sl 51:5), que a inclinação do seu coração é continuamente e sempre para o
mal (Gn 6:5), que não um justo sequer (Mq 7:2; Ec 7:20; Rm 3:10), ninguém que
por si mesmo busque a Deus (Sl 14:2-3, 53:2-3; Rm 3:11), que todos cometeram
pecados (Rm 3:23), indicando que não há um homem que não peque (1 Jo 1:8, 10).
Se o que a Bíblia diz é verdade, que todos temos pecados, quem poderia ficar de
pé diante de Deus? Quem poderá se relacionar com Ele nessas condições, visto
que a Bíblia diz que nem mesmo os anjos ou o céu são tão puros aos seus olhos
(Jó 15:15)? A resposta certa e sincera é: ninguém, “Quanto mais abominável e
corrupto é o homem que bebe a iniqüidade como a água?” (Jó 15:16).
Além disso, Deus tem uma Lei que reflete sua santidade, e, de
fato, falhamos em muitos pontos. Se falhamos em algum ponto, falhamos em todos
os pontos (Tg 2:10). Se falhamos em obedecer, concluímos que estamos em
flagrante ato de desobediência, e sabemos que toda desobediência será
rigorosamente punida. Dessa forma, devemos entender então porque nos
relacionamos com Ele livremente, livre de condenação e culpas. A razão de “nos
achegarmos confiadamente diante do trono da graça” (Hb 4:16), é explicada
no significado dessas três palavras.
1.
Expiação: “Porque naquele dia se fará expiação por vós, para
purificar-vos; e sereis purificados de todos os vossos pecados perante o
Senhor” - Levítico 16:30
Era o ato provisório de remoção da culpa pelo pecado diante
de Deus. Havia uma lei quebrada, e por isso, deveria haver uma condenação por
causa da culpa do pecado. Sabemos que o salário do pecado é a morte (Rm 6:23),
entretanto, o pecador não morria, outro morria em seu lugar. Cordeiros eram
sacrificados para remoção da culpa dos pecados nacionais e particulares da
nação Israelita. "Kaphar", traduzido como expiar, literalmente
significa "cobrir por cima, esconder por encobrir por cima e de modo a não
ficar visível". Atenção para as diferenças cruciais: a) Era o pecador que
procurava expiação, que era recebida por Deus; b) Era feita a cada pecado
cometido (individual) ou uma vez por ano pelos pecados da nação; c) o perdão
era concedido mediante a morte de um substituto, o derramar do sangue;
d) pela expiação do Velho Testamento, os pecados eram apenas cobertos, não
removidos. Dessa forma, a justiça de Deus era satisfeita, pois havia,
ainda que parcialmente, o pagamento pela transgressão (morte). Isso era uma
amostra do que iria acontecer. Aqui, chamo sua atenção para o Verdadeiro Ato de
Expiação feito na Cruz. Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo
(Jo 1:29), morrendo por pecadores, encobrindo pecados de seu povo, não
provisoriamente, mas eternamente, de uma vez por todas (Hb 9:12); sua morte
representa a completa satisfação da Justiça de Deus, tendo toda transgressão e
desobediência recebido a justa punição (Hb 2:2). Assim, estamos cobertos da
culpa do pecado porque um cordeiro foi morto em nosso lugar, tendo removido
totalmente nossas culpas. Isso é o que quer dizer expiação dos nossos pecados.
É por isso que Paulo afirma que para os que estão em Cristo Jesus não há
nenhuma acusação (Rm 8:1), tendo o escrito de dívida cravado na cruz (Cl 2:14).
Por isso, celebre sua liberdade, viva sem culpa. Lembre-se sempre disso quando
Satanás tentar te lembrar de seus pecados passados, ou incentivar você a entrar
na escuridão da culpa pelos pecados que vier a cometer. Arrependa-se, confesse
seus pecados, e abandone-os, Cristo sempre lhe esperará depois disso!
2.
Justificação: “Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de
Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que
há em Cristo Jesus” - Romanos 3:23-24
O termo funciona como uma declaração jurídica. É o ato
declaratório feito por um juiz de que alguém é justo, de que este não quebrou
leis. Teologicamente, acontece quando Deus declara o pecador justo, sendo ele
aceito e perdoado por causa de Cristo somente. De fato, sabemos que não somos
justos coisa nenhuma, a menos que creiamos no Justo Filho de Deus. Não apenas
isso, mais que declarar pecadores justos, isto é, como se eles nunca tivessem
quebrado lei alguma, Deus ainda os reveste da Justiça de Cristo. Isso implica
dizer que além de ter cumprido a lei de Deus, ainda fizemos sempre obras justa.
Com sinceridade, todo homem vai admitir que isso não é verdade a respeito de si
mesmo, porque estamos sempre lutando para deixarmos pecados, para sermos
melhores e abandonarmos o egoísmo. Assim, não podemos ser considerados justos a
não ser crer que isso seja verdade através da fé. Ser justificados pela fé
implica dizer que temos nos revestido da Justiça de Cristo (Gl 3:27). Por Ele nunca
ter quebrado Lei alguma, também somos assim vistos por Deus. Essa é a razão de
Paulo ter dito que estamos “escondidos em Cristo” (Cl 3:3). Ora, pegue um
pequeno pedaço de papel, coloque-o dentro de um livro e feche o livro. Olhe
fixamente para o livro e diga se consegue ver o papel no meio do livro. Claro
que não, você verá apenas o livro, pois o papelzinho está escondido lá dentro.
Nós estamos escondidos em Cristo, quando Deus nos vê, na verdade está vendo
Cristo, por isso somos abençoados, pois no final das contas, quem recebe a
recompensa é o próprio Cristo. Outro exemplo prático para entender justificação
é pensar em um carro. Entre nele e olhe para fora através do para-brisa. Tudo
quando você verá está afetado pelo para-brisa, se tiver insulfilm, verá
a claridade das coisas com menos rigor. Da mesma forma, Cristo é o para-brisa,
por assim dizer, que faz com que Deus nos enxergue através de Cristo. Se Deus
tirar o para-brisa da frente, nos verá como realmente somos. Não fazemos nada
para sermos justificados, somente cremos. A menos que você não creia no Filho
de Deus, pela fé, então Deus sempre o verá através de Cristo. Isso é para fazer
nossos joelhos dobrarem em gratidão, pois se isso não afetar nosso coração,
nada mais afetará!
3.
Propiciação: “Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação
mediante a fé, pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça” - Romanos 3:25
Aqui está a palavra que eu mais admiro, pois ela demonstra a
intenção de Deus em relacionar-se com seu povo. “Propiciar”, segundo o
dicionário é “tornar propício, favorável”. Você só torna algo favorável quando
este algo está desfavorável, ou pelo menos inerte. Na mente de Paulo e João,
quando escreveram sobre o ato de propiciar, estavam as práticas feitas pelos
pagãos de fazer sacrifícios de propiciação para tornar um deus (falso)
favorável a eles. Se eles queriam fertilidade, eles ofereciam sacrifícios de
propiciação para tornar os deuses da fertilidade propícios a eles e terem seus
desejos atendidos. Se fossem viajar pelo mar, faziam sacrifício de propiciação
para tornar os deuses dos mares favoráveis a eles durante a viajem, afastando
assim sua ira e ganhando seu favor. Era basicamente isso que havia na mente
deles quando escreveram sobre o ato de propiciar. Seus leitores da época
entendiam muito bem isso, pois se havia um deus qualquer furioso, deveriam
sacrificar algo em propiciação para afastar sua ira e ganhar seu favor. Detalhe
importante: há um deus enfurecido ou inerte, e eu quero que ele seja favorável
a mim? Então, sou eu que devo oferecer sacrifício de propiciação para que ele
se torna favorável a mim.
Sabendo disso, Paulo e João declaram quase a mesma coisa: “Deus
enviou/propôs seu Filho para propiciação por nossos pecados” (1 Jo 2:22;
4:10; Rm 3:25). Aqui está a razão de Paulo mais uma vez declarar que o
Evangelho é “loucura e escândalo” (1 Co 1:23). Pensa na confusão na mente dos
ouvintes do Evangelho pregado por estes homens: "Há um Deus, e Ele exige que nos
arrependamos, porque quebramos todas as suas leis, pois Ele está irado e irá
punir os que não crerem em seu Filho, mas eu não preciso fazer sacrifício algum
para que essa ira se afaste de mim, Ele está irado, mas Ele mesmo é quem
oferece sacrifício para fazer Ele mesmo propício a nós? Isso é loucura. Como
alguém que está furioso faria sacrifício de propiciação para afastar de si
mesmo da ira que é justa? Loucura”. Acho que eles pensavam mais ou menos
assim. Eu pensaria.
Você vê a grandeza da misericórdia de Deus? Eu e você quebramos
toda lei de Deus, mas Ele fez tudo pra ver-nos livre disso! Ele providenciou a
remoção definitiva da culpa, a veste de justiça que precisávamos pra ir até
Ele, e, ao mesmo tempo satisfez a justiça punindo justamente o pecado quando
levou Jesus a cruz. Depois disso Ele diz que foi Ele mesmo que, estando irado,
levantou e fez um sacrifício de propiciação em nosso lugar (porque você e eu
que deveríamos ter feito), oferecendo para si mesmo oferta para tornar-se a si
mesmo favorável a nós! Meu Deus, quem merecia isso? Você consegue enxergar a
disposição de Deus em ajeitar as coisas para que de modo natural pudéssemos
estar com Ele hoje? Se Deus não tivesse feito tudo isso, quem estaria em sua
presença? Não bastaria remover culpa, era preciso ser justo, mas ainda assim,
seria preciso tornar Deus favorável a nós. Ninguém foi capaz de fazer isso. Ele
foi e fez, e se alegrou com isso, e agora espera ansiosamente que nos
acheguemos a Ele com confiança. Não fazer isso é tolice. Deus quer manter um
relacionamento íntimo e profundo com seu povo!
Agora você entende a razão da advertência feita pelo autor de
Hebreus: “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande
salvação” (Hb 2:3)? Ele está favorável, propício, aos que creem em seu
Filho Jesus. Aos que O rejeitam não crendo, ainda estão debaixo de grande Ira
(Jo 3:36). É bom lembrar da bondade de Deus, mas também devemos lembrar os
homens da sua Severidade (Rm 11:22)
Portanto, de agora em diante, quando você ouvir essas três
palavrinhas, comece a sorrir por dentro, sinta-se amado, sinta-se acolhido.
Jamais se esqueça disso!
Com Amor,
Walter H. C. Silva

Amém! Texto muito esclarecedor! Que Deus esteja te abençoando e que Ele possa continuar usando sua vida para proclamar a Verdade revelada!
ResponderExcluirAmém.... Que Deus seja louvado em tudo...
ExcluirObrigada pela explanação! Deus abençoe!
ResponderExcluirAmém...
Excluirobrigada
ResponderExcluirDeus te Abençoe
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