sábado, 26 de dezembro de 2015

Reflexões a Caminho de Emaús #3




“No caminho, conversavam a respeito de tudo o que havia acontecido.
Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles” - Lucas 24:14,15

Depois que chegamos a Cristo, muitas coisas aconteceram, mas nem todas foram boas. Talvez haja coisas que tínhamos certeza que aconteceria, mas não aconteceu. O mesmo se deu com esses viajantes a caminho de Emaús. Eles ouviram promessas, creram que algumas coisas deveriam ter acontecido, mas não resistiram ao tempo, e, por isso, concluíram que nada mais podia acontecer de bom. Entristecidos, resolveram pegar o caminho de volta, saíram sozinhos rumo à Emaús.

Tenho aprendido que muitos seguidores de Cristo estão, dentro da igreja, caminhando para Emaús, só que nem imaginam. Eles encontraram alguns que estão já quase sem esperança, e, juntos, discutem suas frustrações, compartilham suas motivações, meditam naquilo que vêem, ouvem testemunhos, participam de reuniões, mas não esperam que algo aconteça com eles. Eu já estive entre Jerusalém e Emaús, conheço essa trilha, mas eu sinceramente espero que esse não seja o seu caso hoje.

Entretanto, caso você esteja envolto em problemas não resolvidos, em pecados secretos que destroem sua alegria, nalgum embaraço da alma, do corpo, da mente ou nalguma situação que esperava que se ajeitasse quando Cristo entrasse na sua vida, e no meio da sua caminhada de fé você já está quase sem esperança de que algo possa ser feito, de que você possa ser livre, há uma esperança: “Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles” (v.15).

Cristo pode estar do seu lado, ouvindo seu clamor, conhecendo sua frustração, vendo seu desespero, e você nem sequer percebeu. Talvez Ele ainda não tenha entrado na conversa porque está deixando você caminhar em suas conclusões, para então poder mostrar que os caminhos dele são mais altos, e que os pensamentos dele são mais elevados que os nossos (Is. 55:9).

Uma coisa é certa, se você O conheceu, através da fé, que foi e ainda é precedida pelo arrependimento diário e da gratidão constante, mesmo que seus olhos estejam “como que fechados para O ver” (v.16), Ele caminha ao seu lado, e quando você derramar suas lágrimas, com sinceridade, Ele estará por perto, bem perto.

Nunca alguém que tenha confiado no Senhor saiu decepcionado; que possamos aprender a confiar, mesmo sem ver, pois “bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29).

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Perdi a Fé na "fé" que eu tinha - Extratagema de Deus

Minha admiração pelo grupo "Extratagema de Deus" só cresce a cada dia que os ouço mais. Eis aqui mais uma prova da profundidade e pureza das rimas desses irmãos. Que Deus continue abençoando este grupo, para que mantenha-se imunes ao mercado gospel atual. 

 Walter H. C. Silva





Perdi a fé na fé que eu tinha, pra não perder minha fé

Era só o que me faltava,

pra eu poder abrir minha boca

e dizer tudo o que eu pensava.

Esses dias eu fui num culto precisava ouvir uma palavra,
cheguei lá cabisbaixo saí de lá pior que eu tava.
Eu tô cansado de ouvir duas horas de pregação,
e no final das duas horas só me tocar ilustração.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Reflexões a Caminho de Emaús #2




 E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de Jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús - Lucas 24:13


Aqui encontramos dois discípulos caminhando em direção a uma cidade chamada Emaús. Os outros ficaram em Jerusalém. Cristo havia sido entregue nas mãos dos ímpios, havia morrido, e já havia ressuscitado, entretanto, eles ainda não sabiam. O que eles sabiam eram das suas crenças, das suas motivações, dos planos que não deram certo. Eles estavam com os olhos postos em si, não enxergavam nada além daquilo que queriam ver.

Esses discípulos estavam com Jesus, fizeram parte do seu ministério, viram seus milagres, ouviram seus ensinamentos, provavelmente estavam presentes na ocasião do Sermão do Monte, bem como naquelas passagens em que Jesus afirma que era preciso que ele padecesse, morresse e, ao terceiro dia, ressuscitasse, pois se assim não fosse, eles não veriam o reino dos céus, não receberiam perdão e nem a vida eterna.

Ao terceiro dia, contudo, eles estavam decepcionados, desacreditado daquilo que ouviram, e, caminhando, compartilhavam de suas expectativas frustradas, das promessas que não foram cumpridas, do Cristo que disse que ia ressuscitar mas que não o fez.

É nesse ponto que paro pra refletir sobre minha caminhada, agora mesmo quero descobrir se fiquei em Jerusalém esperando o cumprimento da promessa ou se peguei a trilha para Emaús. Convido você a fazer o mesmo, sente-se no sofá do seu coração, chame a sinceridade e a coragem para lhe fazerem companhia e pense sobre isso.

Há, por ventura, alguma coisa que lhe incomoda quanto a permanecer crendo? Há alguma coisa que você esperava quando chegou à fé, entregou-se à Cristo, e que, aparentemente nunca vai acontecer? Deixe a sinceridade lhe falar, não omita nada, quais foram suas intenções quando decidiu seguir a Cristo? Quantas vezes você esteve na igreja, nas escolas bíblicas, nos grupos pequenos, teve certeza que Deus tinha algo, mas até agora nada? Quantas vezes você pediu oração, esperou resposta, compartilhou dores, esperou consolo, mas até agora nada?

Talvez você esteja igual a esses discípulos, decepcionados com aquilo que te ofereceram quando chegou à Cristo, olhando apenas para o que consegue ver. Já é o terceiro dia, a tarde vai passando, o verão está acabando, você sente o inverno se aproximando, e nada de Cristo, de cumprimento de promessa, de paz no coração, de alívio na alma, de alegria ao invés de choro; no seu coração, mesmo sem perceber, você já está caminhando para Emaús.

Contudo, te convido a continuar confiando naquilo que creu quando chegou ao Mestre. Ele nunca falha. É no terceiro dia que Ele ressuscita, não antes disso, nem depois disso. Ele sabe o que faz, esperar em Cristo é a maneira certa de continuar no caminho de Jerusalém. Traga à sua memória quantas coisas boas Ele já fez por você, por sua família. Lembre-se das vezes em que você quase voltou, mas bem na hora Ele trouxe providência. Lembre-se das alegrias que passou, da paz que já sentiu, do amor que outrora confortou seu coração. Ele nunca muda, o que muda é nossa maneira de nos comportar diante da espera.

Fé naquilo que se vê não é fé. Você sabe que tem fé quando permanece firme, crendo em Deus quando tudo se vai, quando a luz se apaga, daí você se lembra de tudo que aprendeu enquanto estava na luz, sente paz e confiança. Você pode não saber o caminho que está sendo levado, mas você sabe bem quem é aquele que te leva. Sabendo disso, você Crê.

Se está em direção Emaús, volte, Ele não falhou. Se ainda está em Jerusalém, fique firme, sua providência nunca falha.

Walter H. C. Silva

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Reflexões a Caminho de Emaús #1

 
“As palavras delas lhes pareciam loucura”
Lucas 24:11

No contexto dessa passagem, Jesus havia morrido e ressuscitado ao terceiro dia, conforme estava escrito que deveria acontecer. As mulheres que O seguiam foram ao seu encontro no sepulcro, e lá não encontraram nada além dos restos das veste de um morto. Dois anjos, entretanto, lhe confirmaram o que havia acontecido, e que isso já estava previsto desde antes, inclusive pelo próprio Jesus. Naquele momento elas se lembraram das Suas palavras e correram para contar aos discípulos.

O que é surpreendente nessa passagem é que eles não acreditaram no testemunho que elas tinham dado sobre o Cristo que havia ressuscitado, apesar de terem convivido com o próprio Cristo por alguns anos e tê-Lo ouvido afirmar tais coisas. As palavras daquelas mulheres lhe pareceram loucura porque eles haviam perdido a esperança e levaram mais em conta o que estavam presenciando do que aquilo que Jesus havia prometido.

Veja se as vezes não nos comportamos assim, como esses discípulos, mesmo que inconscientemente, dando mais crédito às coisas que temos visto do que aquilo que uma vez vimos e ouvimos da parte de Deus, especialmente através das Escrituras.

Com toda sinceridade, quantas vezes nos pareceu loucura alguma palavra, que, envoltos nalguma situação complicada, da qual criamos ser impossível de se resolver, chegando ao ponto de nos conformarmos com a situação, e qualquer palavra contrária nos parecia loucura? Quantas vezes ouvimos ou lemos testemunhos de irmãos piedosos dizendo que venceram o que agora estamos tentando vencer, e aquilo nos foi como desvario? Agora mesmo, há alguma luta interna travada em seu coração? Há um pecado que resiste, mesmo que você batalhe duramente contra ele? Há um Golias no meio do seu caminho que insiste em apontar a lança pra você e te amedronta? Há algum embaraço fora de controle que você se envolveu, ou que quando você viu já estava envolvido?

Com sinceridade, todos nós temos algo pra fazer, ninguém que respira neste mundo é santo. Somos todos da mesma essência, temos todos as mesmas inclinações, isso porque ainda somos fracos em nossa fé, em nossa batalha pela santidade. Não é de se admirar que ainda algumas coisas nos parecem loucura, que insistimos em dar mais valor ao que vemos do que ao que devemos enxergar, através da fé. Há um pouco de “Tomé” em cada um de nós. Não se sinta envergonhado por isso. O reconhecimento é primeiro passo para uma nova experiência.

Se você, assim como eu, as vezes contempla mais o que vê, em detrimento do que deveria ver, através da fé, e tem sua esperança abalada, rogo que se junte a mim num clamor à Deus, para que Ele tenha piedade do seu povo, e que nos abra os olhos da fé para vermos o que ainda não podemos. Que essas fraquezas e faltas que agora reconhecemos nos introduzam, pela trilha da humildade, nos átrios do Trono da Graça, pois quando fracos é que somos fortes (2 Co 12:10).
Walter H. C. Silva