sexta-feira, 2 de outubro de 2015

FOI PRESO? E AGORA? ORO OU NÃO ORO?



Pedro, então, ficou detido na prisão, mas a igreja orava intensamente a Deus por ele. ( Atos 12:5)

Atualmente temos visto muitos crentes nas páginas de jornal, e não é por causa de Cristo. É “pastor” e “irmão” detido o tempo todo! É por corrupção, esquema com Mamon, pedofilia, orgia, venda de caráter por voto e alguns cifrões, troca de favores ilegais, falcatrua em recolhimento de imposto, investigação de sonegação junto a Fazenda Pública. Alguns são tão escancarados que não dá nem pra ficar neutro... Em meio a tanto escândalo de corrupção e imoralidade de crentes, me pergunto: Oro por eles ou não?

Algumas considerações devem ser levadas em conta antes de responder. Eis os meus pontos:


1. Vemos que a prisão sempre fez parte da vida dos cristãos ao longo da história da igreja. Na própria Bíblia, vemos muitos homens sendo presos. Podemos verificar José, Jeremias, João Batista, Pedro, Paulo, João, etc, sendo lançados nas cadeias. Levando em consideração que Jesus disse que os crentes seriam perseguidos e lançados nas prisões (Lc 21:12), concluímos ser “normal” a prisão de crentes. Por isso ao longo da história da igreja houve muitas prisões.

2. Mas o que não podemos deixar de questionar é: Por que eram presos? A resposta é muito importante pra delimitar nossa postura. Os homens citados acima foram presos por causa da Palavra de Deus, do Evangelho. José por ter sido fiel a revelação; Jeremiar por ter afrontado seus conterrâneos com os decretos de Deus; João Batista por pregar a verdade; Pedro, por anunciar o Evangelho com ousadia e converter a muitos (At 5:18); Paulo, segundo suas palavras, “pela esperança de Israel estou com esta cadeia” (At 28:20). Willian Tyndale foi preso e queimado por traduzir a bíblia para o inglês; João Huss morreu na fogueira suplicando ao Senhor que perdoasse aos seus perseguidores; Jerônimo de Praga morreu na fogueira também, cantando hinos, nas chamas, até o último suspiro; João Wessália, fora preso por ensinar que a salvação é pela graça; John Bunyan, o eminente pregador e autor do livro “O Peregrino”, até hoje em nossas livrarias como um guia competente para o ensino cristão, foi preso e condenado a prisão perpétua por pregar o evangelho com ousadia. Assim, todos estes homens foram presos por estar ao lado da verdade, pregar a verdade, viver a verdade e converter os outros à verdade.

3. A pergunta que resta responder é: Por que os “servos de Deus” estão sendo presos hoje? Foram presos por pregar a verdade? Estavam ensinando o povo sobre a verdade? Estavam agindo com base na verdade? A conversão das pessoas à verdade, através de seus atos, foi o motivo da ira das autoridades? Estão eles encerrados em prisões por causa de tais coisas? Seja sincero, nenhum desses “pastores supercrentes” foram preso por tais coisas.

No passado os cristãos eram perseguidos por causa do evangelho, hoje eles são perseguidos por causa de seus bens, suas fortunas, suas falcatruas, seus desmandos, suas alianças políticas. Eles estão sendo processados porque mentiram, enganaram, sonegaram, porque acumularam riquezas ilegais, porque abusaram sexualmente dos seus “irmãos”, compraram ilegalmente, portam armas, porque tem rede de TV comprada com dinheiro sem origem, tem fazendas multimilionárias, jatinhos, etc. Nenhuma das prisões ou investigações atuais foram motivadas por causa do evangelho, mas por causa do mau uso dele. As razões das prisões desses homens de hoje os classificam como “falsos profetas”, “lobos em pele de cordeiro”. Jesus falou sobre eles: “Vocês os reconhecerão por seus frutos” (Mt 7:16). Acho que está claro, pelos seus frutos, a qual árvore pertencem, pois “a árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons” (Mt 7:18).

No verso de abertura, enquanto Pedro tinha sido preso por pregar a verdade, a igreja estava orando por ele. A seguir vemos a milagrosa libertação do Apóstolo, um anjo abriu a cela e o libertou. Me questiono agora, a igreja deve orar por pastores e crentes que acabaram de ser presos por fazerem falcatruas, usarem pele de cordeiro e como resultado fazer que a nossa moral e o Nome de Deus seja blasfemado entre os ímpios? Será que devo orar para o livramento de Deus na vida desses irmãos? NÃO.

Minha resposta não poderia ser outra, não vou orar por tais homens. Eles estão presos por servirem a Mamon, por entrarem no sistema e se corromperem com ele, por usarem o nome de Deus e a fé para conquistar objetivos próprios. Que os seus “deuses” os livrem agora!!! É uma vergonha para o próprio Deus, para a igreja sincera de Cristo, que um crente esteja em páginas de jornal apenas por acusações de bandidagem. Nós deveríamos estampar as capas de jornais com boas obras, com ações de graça, com amor ao próximo, mas estamos sendo marcados por essas nuvens negras.

Fala que não é verdade que você já não teve que ouvir piadinha dos outros por causa desses homens? Fala que já não brincaram com sua fé por causa dessas atitudes desses líderes? Nunca fizeram piadinhas com seu pastor, que é sincero e homem de Deus, colocando o caráter dele a prova, por causa do caráter desses crápulas que se dizem “irmãos” e “pastores”? O convite para as pessoas irem à igreja se torna cada vez mais dificultoso por conta desses maus testemunhos. Com razão os não crentes pensam: “ir na igreja pra ser igual a esses aí? Estou bem assim”. Não tem como ficar neutro.

A oração que devemos fazer a Deus a respeito desses homens é aquela que pede o arrependimento dos tais, que os mesmos se confessem, se entreguem, que se convertam de verdade, e, como resultado, assumam o risco de suas ações. Se nada fizeram, que provem o contrário. É bem sábio o ditado “quem não deve não teme”. Pra finalizar, lembro-me de um irmão amado, humilde e sincero, que, depois de muito ouvir o evangelho e ser tocado pelo Senhor, confessou ter outro nome, ter praticado alguns crimes e estar foragido da Justiça. A conversão foi tão sincera que ele voltou pra cidade de onde fugiu, se entregou a polícia, foi preso, e lá no presídio, pregou o evangelho.

Minha oração agora é que haja justiça, que os fatos sejam expostos, e que aqueles que devem, paguem por seus erros, e se erraram, que se arrependam de seus pecados, clamem por misericórdia, e, havendo verdadeira conversão, que a igreja os acolha de volta, tratando-os como irmãos, “pois todos pecaram” (Rm 3:23). Os frutos vão dizer a quais árvores pertencem...

Com Temor,
Walter H. C. Silva

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho

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