terça-feira, 5 de julho de 2016

RELATOS DE UM PAI EM APUROS




Pedro, o filho mais velho (09 anos), antes de ter sido batizado, já lera todo o Novo Testamento. Tudo era muito claro: Jesus era o centro de todos os livros. Agora, depois de ter sido batizado, ganhou uma bíblia nova do seu tio, aquelas cheias de histórias e ilustrações para sua idade. De tão empolgado que ficou com o presente, já começou sua leitura do Antigo Testamento. Já nas primeiras folhas, aquelas explicativas, demonstrou surpresa: “que massa que é minha bíblia” disse ele, “eu nunca vi uma bíblia tão legal”. Animado com a reação do garoto, incentivei-o a continuar seu plano de leitura, agora do Velho Testamento intercalado com o Novo, e prometi a ele fazer um plano de leitura só pra ele, pois aquele que outrora lera fora feito especialmente para a célula da qual pertencemos.


Já em seus primeiros capítulos, a certeza de que o garoto está lendo e compreendendo o que lê: “Por que Deus não aceitou a oferta de Caim?”, questionou à sua mãe, “mas aceitou a oferta de Abel?”, continuou o garoto. “A oferta de Caim foi melhor. Abel matou um animal!”, esboçou espanto. Quando cheguei, fui relatado sobre a pauta do dia, me inteirei do assunto e tentei exemplificar de modo prática a questão. “Ainda bem que ele leu o Novo Testamento antes”, dissemos um a outro, me refiro ao marido e esposa. Com base nas velhas ilustrações do Velho Testamento, explicamos como isso se daria a conhecer no Novo, na pessoa de Jesus. Entretanto, essa não foi a única “questão de ordem”, que merecia pausa e explicação. Houve ainda outra: “Por que Deus falava de jeito diferente com as pessoas do Velho Testamento?”. Pausa para a explicação, certos da compreensão do garoto, respiramos.

Por tudo isso, concluímos: 1. Valeram os anos anteriores de estudo exaustivo das Escrituras, das simbologias, das profecias, etc; 2. Valeu o tempo dedicado aos TSD’s; 3. Continuar estudando as Escrituras é exigência para um bom diálogo entre pais e filhos, pois dúvidas práticas virão, e é sadio de nossa parte oferecermos algo concreto como resposta, ao invés de terceirizar o serviço do aprendizado cristão; 4. Perguntas inteligentes merecem respostas inteligentes. Não queremos ser um daqueles cristãos que respondem “é assim porque Deus mandou”, ou “é assim que nos ensinaram e ponto”, ou ainda “não sei, talvez seja melhor assim”. Não queremos criar um garoto religioso, antes, um garoto que sabe em quem acredita, e porque deve continuar acreditando. Num mundo onde tudo é rápido e fácil, importante será mantê-lo sóbrio a respeito do Deus que exige tempo a paciência; 5. Acompanhar o garoto para que ele não se sinta perdido dentro da própria casa é essencial. A casa que me refiro é a fé. Existem muitas perguntas, muitas “aparentes contradições”, que quando forem observadas pelo menino, devem ser explicados ao garoto para que ele tenha uma certeza: Deus não é confusão, e isso implica que a Palavra que ele proferiu (Bíblia) não pode haver contradições. Tais conflitos aparentes são resolvidos dentro do contexto geral, e por isso devemos estar perto quando novas “questões de ordem” foram levantadas.

Espero que Deus nos dê sabedoria e paciência para lidar com esse novo momento que estamos vivendo.

Walter Cano

2 comentários:

  1. "Perguntas inteligentes merecem respostas inteligentes. Não queremos ser um daqueles cristãos que respondem 'é assim porque Deus mandou', ou 'é assim que nos ensinaram e ponto', ou ainda 'não sei, talvez seja melhor assim'. Não queremos criar um garoto religioso, antes, um garoto que sabe em quem acredita, e porque deve continuar acreditando."
    Excelente irmão! Sábias as suas palavras, que Deus continue abençoando você e sua família!

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  2. Amém. Obrigado por visitar o blog. Estando ao seu alcance, compartilhe.
    Abraços.

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho

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