Eu já fui líder de pessoas. Já liderei equipe de serviço, já
liderei pessoas em igrejas, e há bem pouco tempo, deixei de exercer liderança sobre
um grupo pequeno de irmãos, que carinhosamente chamamos de célula. Mas sobre
tudo, ainda continuo a ser um líder, dos meus filhos,
razão pela qual ainda escrevo.
Num contexto específico, dias atrás, cometi alguns excessos,
e, após refletir sobre a questão, tive de me desculpar, pedir perdão, assumir
minhas falhas e me colocar na posição de tolo, como realmente fui. Mas depois
disso, refleti um pouco mais, e observei os benefícios que poderiam advir de um
pedido sincero de perdão de alguém que é visto como “líder”. Eis as minhas
conclusões...
Em primeiro lugar, para exemplificar bem o que quero dizer,
uso o texto de Lucas 11:9-14 para dizer que a diferença básica está na nossa
atitude, ou seja, se nos comportamos como Fariseus ou Publicanos. No contexto,
Jesus já começa a dizer que contou esta parábola para àqueles que “confiavam em si mesmos, que se achavam
justos e desprezavam os outros”. O Fariseu, pela sua oração denuncia sua
hipocrisia quando ora agradecendo por não ser como ladrões, injustos e adúlteros,
e afirma, enquanto ora, que jejua
duas vezes na semana e que dá o dízimo de tudo quanto tem. Assim fica evidente
seu desprezo pelos que não fazem tais coisas, e, nas entrelinhas, seu ego é
idolatrado quando afirma dentro de si ser tão bom quanto esse ou aquele. Já o
Publicano, coitado, estando longe, além de ser desprezado em sua época por ser
publicano, nem ao menos ousava olhar para o céu para orar. Apenas batia no
peito em sinal de tristeza e angustia e dizia: “Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador”. No final do texto, no
verso 14, Jesus afirma que o pobre Publicano pecador voltou pra casa
justificado, ao passo que o Fariseu, enganando a si mesmo sobre si mesmo, nem
sequer foi ouvido.
A diferença entre os Fariseus Crentes de hoje e os pobres
Publicanos pecadores é a atitude quanto a si mesmo. Fariseus modernos nunca
pedem perdão. Eles enganam a si mesmo achando que fazem parte de um grupo de “super-crentes”
que não pecam, que não tropeçam no meio do caminho, e, se porventura,
reconhecem suas fraquezas, não são capazes de pedir perdão, quem dirá pedir
ajuda. Fariseus ainda existem, e eles estão sentados nos bancos das igrejas.
Eles arrotam santidade, sabem dar nomes aos pecados dos publicanos, mas engolem
pecados que cometem, abafam a consciência, confiam nas suas atividades, nas
suas agendas com a igreja, contam seus feitos para parecerem mais amigos de
Deus que os demais. Eles não são capazes de pedir perdão! Eles ainda existem,
mas nem sabem...
Se Deus me der um coração sensato e sincero, eu quero me
parecer com um publicano, porque Jesus justificou pecadores; eu quero estar
doente, porque Jesus não veio para os sãos, mas para os feridos; eu quero estar
fraco, porque minha fraqueza é ser forte e ser fraco me fortalece. Entre um
Fariseu moderno e um Publicano enfraquecido, eu insisto, quero estar entre os Publicanos.
Não quero justificar a mim mesmo, não tenho razões para isso. Se eu errar, eu
quero ter coragem de bater no peito em sinal de tristeza e arrependimento, e
quero reparar o erro que cometi. Eu quero pedir perdão...
Quando um líder pede perdão (sem hipocrisia ou falsa modéstia),
sabemos que ele não é um Fariseu Moderno; que ele não é super-crente que vê a
si mesmo mais do que realmente é; que ele é fraco o suficiente como as pessoas
normais; que ele não acha que é mais que os outros; que ele entende que está
ferido e que está clamando por ajuda; que ele não pretende ser mais santo do
que realmente é, se é que acha que é; que ele tem dores como a gente; que sofre
como a gente; que ele luta tanto quanto nós; que ele é vulnerável como qualquer
outro; que ele tem capacidade de falar de si mesmo com sensatez; que ele
entende que feridas são necessárias; que ele sabe que marcas são testemunhos;
que ele entende que se fazer forte é ruim para ele; que se fazer forte é ruim para
os demais; Quando um líder se arrepende e pede perdão, nasce uma oportunidade
de ouro para testemunhar o poder consolador de Deus aos que fracos estão.
Quando um líder pede perdão ele afirma para os demais que
ninguém é digno de confiança, apenas Deus; que pessoas frustram pessoas, mas
que Deus não frustra ninguém; ele afirma que só Deus é digno de admiração; que
toda idolatria à sua “santidade aparente” é prejudicial para todos; ele afirma
que, ainda que ele caia, Deus não muda. Ele afirma, através de seu perdão, que
não há e nunca houve super-crentes; que nunca foi desejo de Deus dificultar o
caminho da santidade, mas que Deus espera de braços abertos todos os fracos,
todos os tolos, todos os publicanos. Apenas com um pedido de perdão sincero, um
líder pode produzir muitas coisas, mas especialmente o amor. Se amamos uns aos
outros, perdoamos sempre.... Sempre... Quem nunca pecou, que comece a atirar as
pedras...
“Super-crentes” pecam, nós sabemos disso, mas poucos são
corajosos o suficiente pra dizer onde pecaram... Não vemos muitos pedidos de
perdão por aí...
Que Deus me mantenha fraco e sensato o suficiente para
reconhecer minhas chagas, e me dê coragem o suficiente pra pedir perdão, como
um publicano em busca de Graça, e que, ao mesmo tempo, abra os olhos dos
Fariseus Moderninhos que insistem em ficar em pé quando todos sabem que estão
quase caindo... Deus tenha piedade de todos nós...
Walter H. C. Silva
Amem!!muito bom pastor,que a humildade seja a maior qualidade de um crente...
ResponderExcluirAmém, obrigado pelo "pastor", mas declino por enquanto hehe
ExcluirExcelente reflexão!!
ResponderExcluirExcelente texto!
ResponderExcluirQue não sejamos "super crentes" jamais
Luiza
Excelente texto! Que tenhamos mais dos Publicanos em nós!
ResponderExcluirM. Clara
Muito bom o texto! Esse é meu temor como "liderança" de pequeno grupo de pessoas...que Deus tenha misericórdia de nós!
ResponderExcluirJéssica L.
Amém, Deus tem misericórdia dos fracos....
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