segunda-feira, 28 de março de 2016

Quando um Líder pede perdão...



Eu já fui líder de pessoas. Já liderei equipe de serviço, já liderei pessoas em igrejas, e há bem pouco tempo, deixei de exercer liderança sobre um grupo pequeno de irmãos, que carinhosamente chamamos de célula. Mas sobre tudo, ainda continuo a ser um líder, dos meus filhos, razão pela qual ainda escrevo.

Num contexto específico, dias atrás, cometi alguns excessos, e, após refletir sobre a questão, tive de me desculpar, pedir perdão, assumir minhas falhas e me colocar na posição de tolo, como realmente fui. Mas depois disso, refleti um pouco mais, e observei os benefícios que poderiam advir de um pedido sincero de perdão de alguém que é visto como “líder”. Eis as minhas conclusões...


Em primeiro lugar, para exemplificar bem o que quero dizer, uso o texto de Lucas 11:9-14 para dizer que a diferença básica está na nossa atitude, ou seja, se nos comportamos como Fariseus ou Publicanos. No contexto, Jesus já começa a dizer que contou esta parábola para àqueles que “confiavam em si mesmos, que se achavam justos e desprezavam os outros”. O Fariseu, pela sua oração denuncia sua hipocrisia quando ora agradecendo por não ser como ladrões, injustos e adúlteros, e afirma, enquanto ora, que jejua duas vezes na semana e que dá o dízimo de tudo quanto tem. Assim fica evidente seu desprezo pelos que não fazem tais coisas, e, nas entrelinhas, seu ego é idolatrado quando afirma dentro de si ser tão bom quanto esse ou aquele. Já o Publicano, coitado, estando longe, além de ser desprezado em sua época por ser publicano, nem ao menos ousava olhar para o céu para orar. Apenas batia no peito em sinal de tristeza e angustia e dizia: “Ó Deus, tem misericórdia de mim pecador”. No final do texto, no verso 14, Jesus afirma que o pobre Publicano pecador voltou pra casa justificado, ao passo que o Fariseu, enganando a si mesmo sobre si mesmo, nem sequer foi ouvido.

A diferença entre os Fariseus Crentes de hoje e os pobres Publicanos pecadores é a atitude quanto a si mesmo. Fariseus modernos nunca pedem perdão. Eles enganam a si mesmo achando que fazem parte de um grupo de “super-crentes” que não pecam, que não tropeçam no meio do caminho, e, se porventura, reconhecem suas fraquezas, não são capazes de pedir perdão, quem dirá pedir ajuda. Fariseus ainda existem, e eles estão sentados nos bancos das igrejas. Eles arrotam santidade, sabem dar nomes aos pecados dos publicanos, mas engolem pecados que cometem, abafam a consciência, confiam nas suas atividades, nas suas agendas com a igreja, contam seus feitos para parecerem mais amigos de Deus que os demais. Eles não são capazes de pedir perdão! Eles ainda existem, mas nem sabem...

Se Deus me der um coração sensato e sincero, eu quero me parecer com um publicano, porque Jesus justificou pecadores; eu quero estar doente, porque Jesus não veio para os sãos, mas para os feridos; eu quero estar fraco, porque minha fraqueza é ser forte e ser fraco me fortalece. Entre um Fariseu moderno e um Publicano enfraquecido, eu insisto, quero estar entre os Publicanos. Não quero justificar a mim mesmo, não tenho razões para isso. Se eu errar, eu quero ter coragem de bater no peito em sinal de tristeza e arrependimento, e quero reparar o erro que cometi. Eu quero pedir perdão...

Quando um líder pede perdão (sem hipocrisia ou falsa modéstia), sabemos que ele não é um Fariseu Moderno; que ele não é super-crente que vê a si mesmo mais do que realmente é; que ele é fraco o suficiente como as pessoas normais; que ele não acha que é mais que os outros; que ele entende que está ferido e que está clamando por ajuda; que ele não pretende ser mais santo do que realmente é, se é que acha que é; que ele tem dores como a gente; que sofre como a gente; que ele luta tanto quanto nós; que ele é vulnerável como qualquer outro; que ele tem capacidade de falar de si mesmo com sensatez; que ele entende que feridas são necessárias; que ele sabe que marcas são testemunhos; que ele entende que se fazer forte é ruim para ele; que se fazer forte é ruim para os demais; Quando um líder se arrepende e pede perdão, nasce uma oportunidade de ouro para testemunhar o poder consolador de Deus aos que fracos estão.

Quando um líder pede perdão ele afirma para os demais que ninguém é digno de confiança, apenas Deus; que pessoas frustram pessoas, mas que Deus não frustra ninguém; ele afirma que só Deus é digno de admiração; que toda idolatria à sua “santidade aparente” é prejudicial para todos; ele afirma que, ainda que ele caia, Deus não muda. Ele afirma, através de seu perdão, que não há e nunca houve super-crentes; que nunca foi desejo de Deus dificultar o caminho da santidade, mas que Deus espera de braços abertos todos os fracos, todos os tolos, todos os publicanos. Apenas com um pedido de perdão sincero, um líder pode produzir muitas coisas, mas especialmente o amor. Se amamos uns aos outros, perdoamos sempre.... Sempre... Quem nunca pecou, que comece a atirar as pedras...

“Super-crentes” pecam, nós sabemos disso, mas poucos são corajosos o suficiente pra dizer onde pecaram... Não vemos muitos pedidos de perdão por aí...

Que Deus me mantenha fraco e sensato o suficiente para reconhecer minhas chagas, e me dê coragem o suficiente pra pedir perdão, como um publicano em busca de Graça, e que, ao mesmo tempo, abra os olhos dos Fariseus Moderninhos que insistem em ficar em pé quando todos sabem que estão quase caindo... Deus tenha piedade de todos nós...

Walter H. C. Silva

7 comentários:

  1. Amem!!muito bom pastor,que a humildade seja a maior qualidade de um crente...

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    1. Amém, obrigado pelo "pastor", mas declino por enquanto hehe

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  2. Excelente texto!
    Que não sejamos "super crentes" jamais
    Luiza

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  3. Excelente texto! Que tenhamos mais dos Publicanos em nós!
    M. Clara

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  4. Muito bom o texto! Esse é meu temor como "liderança" de pequeno grupo de pessoas...que Deus tenha misericórdia de nós!
    Jéssica L.

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho

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