quarta-feira, 28 de maio de 2014

Jó e Eu



Como dizia Lutero: “não sei por quais caminhos Deus me leva, mas conheço bem o meu guia”. Acho que isso pode ser visto claramente na vida de Jó.

Aquele homem nunca soube que houve uma conversa nas regiões celestiais antes de sua ruína (Jó 1:6-12). Quando seu mundo caiu, ele permaneceu firme e convicto que Deus podia muito bem dar e tirar o que deu. Parafraseando as palavras de Jó, aceitamos o bem de Deus com prazer, mas o mal não queremos aceitar (Jó 2:10).

Afligido com algumas situações esses dias, o Espírito Santo me levou a pensar melhor sobre isso. Me levou a considerar isso mais profundamente. Concluí que, se de fato O conheço, não posso continuar crendo que Ele pode tudo fazer para o meu bem, inclusive aquilo que eu considero ser mal? Se tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8:28), o mal seria a exceção a regra desse “tudo”?

Deus está acima do bem e do mal que conheço. Este tipo de definição é a única que conheço, logo, só posso dizer o que é mal tendo por padrão aquilo que meu limitado pensamento pode compreender. Entretanto, Deus é moralmente bom, e isso deveria ser o suficiente para fazer-me crer em sua providência. Se algo acontece agora, não poderia eu supor que isso pode ser o melhor pra mim amanhã?

Não sei se foi isso que Jó pensou, mas eu sei como foi o fim da história. Se Deus me permitir ser afligido agora, que eu olhe para a vida de Jó e aprenda com ele que sucesso não significa necessariamente não sofrer, mas sim ter o favor do Deus do Universo, disposto a fazer qualquer coisa para o meu bem, ainda que isso me pareça mal.

Você pensaria como Jó se seu mundo caísse agora?

Reflita nisso!

Com amor,
Walter H. C. Silva

segunda-feira, 26 de maio de 2014

COPA sem CULPA


No meio de tantas protestos anti-copa, anti-tudo, acho que encontrei um texto que expressa o que penso sobre os assuntos. Assim, faço das palavras do Reverendo Solano Portela as minhas.


Guilt trip é uma expressão utilizada pelos Norte-Americanos. Ela significa, literalmente, “viagem de culpa”. Mas não quer dizer que você é quem embarca nessa viagem e sente-se culpado nela e por ela. Quem lhe embarca são os outros. Alguém que chega a algum convencimento ou convicção pessoal de uma posição ou situação e, em vez de aplicar suas convicções a si mesmo, pontifica que todos os demais devem ser da mesma persuasão e que devem tomar posição análoga à dele. Se esses outros não fazem isso são declarados culpados em sumário julgamento. Obviamente estamos falando de questões que não estão explicitamente cobertas ou disciplinadas pela Lei Moral (quanto a essa não há discussão e somos culpados, sim, quando quebramos a Lei de Deus), mas de situações circunstanciais. A questão de torcer e se empolgar com a Copa do Mundo é uma dessas. Temos várias pessoas que estão lhe embarcando em uma guilt trip, se você se animar com a realização da Copa no Brasil, ou até se torcer pelo Brasil. Há até uma posição herética correndo a nossa Pátria: “Vamos torcer pela Argentina”!

Bem, eu não ignoro os absurdos administrativos e até as intenções criminosas de vários responsáveis pela aplicação dos recursos originalmente destinados à Copa – estádios, sistemas de transporte, hospedagem, meios de comunicação, etc. Os resultados estão aí: a maioria não foi feita (ou “será” completada depois da Copa), mas valores foram gastos; os custos das obras que foram feitas triplicaram, quando comparados com os orçamentos originais; desvios e superfaturamentos têm sido apontados e alguns inequivocamente comprovados. Além disso, o descaso com a aplicação correta dos recursos em situações da carência da população, como na melhoria do sistema viário urbano e em áreas de saúde, contrasta com o esbanjamento observado com as obras relacionadas com a Copa. Por último, muitos países ficam com legado e benefícios posteriores após a realização de Copas ou Olimpíadas, mas no Brasil é diferente: pouco se aproveitará de tudo que está sendo construído – talvez restarão apenas algumas obras tardias (por exemplo: o VLT de Cuiabá; o monotrilho de São Paulo, etc.). Estas ainda levarão anos para serem terminadas, tocadas pela ineficiência característica dos governos, federal e estaduais e talvez poderão beneficiar as pessoas a médio prazo.

No entanto, cheguei à conclusão que não preciso concordar com os desmandos, com a corrupção, com o esbanjamento, com a insensibilidade dos governantes. Posso e devo ser contra tudo isso e esperar que essas situações sejam tratadas com a mão implacável da justiça, na medida em que Deus permita que a dos homens reflita os seus princípios. Nem vou consertar esse estado de coisas torcendo CONTRA o Brasil. E nem, tão pouco, me envolvendo em protestos inconsequentes, quebra-quebras, badernas e impedimentos do direito de ir e vir das pessoas.


Assim, quero uma Copa sem Culpa. Primeiramente, sem a culpa dos verdadeiros culpados pelas falcatruas e corrupção crônica – cadeia neles! Segundo, sem a minha culpa, que outros querem me impingir, por torcer pelo Brasil. Prá frente, Brasil! Vamos ganhar essa Copa, também?!!

Solano Portela
Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/05/copa-sem-culpa.html