No meio de
tantas protestos anti-copa, anti-tudo, acho que encontrei um texto que expressa
o que penso sobre os assuntos. Assim, faço das palavras do Reverendo Solano
Portela as minhas.
Guilt
trip é uma expressão utilizada pelos Norte-Americanos.
Ela significa, literalmente, “viagem de culpa”. Mas não quer dizer que você é
quem embarca nessa viagem e sente-se culpado nela e por ela. Quem lhe embarca
são os outros. Alguém que chega a algum convencimento ou convicção pessoal de
uma posição ou situação e, em vez de aplicar suas convicções a si mesmo,
pontifica que todos os demais devem ser da mesma persuasão e que devem tomar
posição análoga à dele. Se esses outros não fazem isso são declarados culpados
em sumário julgamento. Obviamente estamos falando de questões que não estão
explicitamente cobertas ou disciplinadas pela Lei Moral (quanto a essa não há
discussão e somos culpados, sim, quando quebramos a Lei de Deus), mas de
situações circunstanciais. A questão de torcer e se empolgar com a Copa do
Mundo é uma dessas. Temos várias pessoas que estão lhe embarcando em uma guilt trip, se você se animar com a
realização da Copa no Brasil, ou até se torcer pelo Brasil. Há até uma posição
herética correndo a nossa Pátria: “Vamos torcer pela Argentina”!
Bem, eu não ignoro os absurdos
administrativos e até as intenções criminosas de vários responsáveis pela
aplicação dos recursos originalmente destinados à Copa – estádios, sistemas de
transporte, hospedagem, meios de comunicação, etc. Os resultados estão aí: a
maioria não foi feita (ou “será” completada depois da Copa), mas valores foram
gastos; os custos das obras que foram feitas triplicaram, quando comparados com
os orçamentos originais; desvios e superfaturamentos têm sido apontados e
alguns inequivocamente comprovados. Além disso, o descaso com a aplicação
correta dos recursos em situações da carência da população, como na melhoria do
sistema viário urbano e em áreas de saúde, contrasta com o esbanjamento
observado com as obras relacionadas com a Copa. Por último, muitos países ficam
com legado e benefícios posteriores após a realização de Copas ou Olimpíadas,
mas no Brasil é diferente: pouco se aproveitará de tudo que está sendo
construído – talvez restarão apenas algumas obras tardias (por exemplo: o VLT
de Cuiabá; o monotrilho de São Paulo, etc.). Estas ainda levarão anos para
serem terminadas, tocadas pela ineficiência característica dos governos,
federal e estaduais e talvez poderão beneficiar as pessoas a médio prazo.
No entanto, cheguei à conclusão
que não preciso concordar com os desmandos, com a corrupção, com o
esbanjamento, com a insensibilidade dos governantes. Posso e devo ser contra
tudo isso e esperar que essas situações sejam tratadas com a mão implacável da
justiça, na medida em que Deus permita que a dos homens reflita os seus
princípios. Nem vou consertar esse estado de coisas torcendo CONTRA o Brasil. E
nem, tão pouco, me envolvendo em protestos inconsequentes, quebra-quebras,
badernas e impedimentos do direito de ir e vir das pessoas.
Assim, quero uma Copa sem
Culpa. Primeiramente, sem a culpa dos verdadeiros culpados pelas
falcatruas e corrupção crônica – cadeia neles! Segundo, sem a minha culpa,
que outros querem me impingir, por torcer pelo Brasil. Prá frente,
Brasil! Vamos ganhar essa Copa, também?!!
Solano Portela
Fonte: http://tempora-mores.blogspot.com.br/2014/05/copa-sem-culpa.html

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho
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