Hoje (30.04.2014), é o ultimo dia para apresentação da Declaração
do Imposto de Renda. Diante disso, ao ler o texto de Mateus 17, inevitavelmente
lembrei-me desse fato e foi impossível não fazer a relação das atitudes de
Jesus com o que estamos acostumados a ver.
No texto, quando os apóstolos estavam em Cafarnaum, Pedro é
interrogado pelos cobradores de impostos acerca de Jesus. Eles queriam saber se
Jesus pagava ou não os impostos (v.24). A resposta de Pedro é exatamente o que
esperamos ouvir desse Jesus Justo que professamos. “Sim, Ele paga”, respondeu Pedro (v.25), e sabemos que esse é um testemunho
válido sobre o que Jesus costumeiramente
fazia, pois o texto nos permite deduzir que Pedro estava longe de Jesus, pois logo
a seguir afirma: “quando Pedro entrou na
casa” (v.25). Se é esse o fato, e se a resposta de Pedro é convicta, como
de fato é, então podemos concluir que Jesus pagava seus impostos, pois Ele
mesmo diz que deve-se “dar a César o que
é de César” (Lc 20:25). Não temos como definir com precisão quais os
impostos que César, o imperador, costumava cobrar, mas certamente se o Imposto
de Renda fosse um deles, Jesus teria pagado.
A pergunta de Jesus e a resposta de Pedro (v.25-26), apesar
de não ser o foco aqui, teologicamente falando, expressa pelo menos duas
coisas: Jesus tinha o direito de não pagar, por ser Ele Filho do Rei, mas,
principalmente, a forma humilde de abstenção de usar desse direito.
Isso deve nos direcionar a refletir sobre nosso jeitinho
brasileiro de levar as coisas, inclusive pagar impostos. Não é raro vermos
pessoas dando um jeitinho de pagar menos, e a justificativa está na forma
errada como são cobrados tais impostos. Se formos pensar dessa forma, sabendo que
quase nenhum imposto é direcionado para o fim para o qual foi criado, nunca
pagaremos nenhum imposto. A corrupção do Brasil e de suas autoridades não é
vencida pela corrupção de seus compatriotas. Vencemos o mal fazendo o bem (Rm
12:21), e isso inclui cumprir as regras. Se elas são injustas, temos por
obrigação votar direito, protestar sob o comando da Justiça e exigir de nossos
representantes a alteração das normas. Burlar o sistema gera mais encargos.
Dias atrás alguém me disse que estava vendendo recibos para o
Imposto de Renda e cobrando 10% sobre o valor do recibo. Era um crente! Esse é um
reflexo do padrão que temos: “Todos fazem, então eu também vou fazer”. Acontece
que o padrão nunca foi os outros, mas Jesus.
Pense bem, Jesus tinha o direito de não pagar, entretanto,
submetendo-se a uma missão maior, decidiu não se tornar pedra de tropeço nem
causa de escândalo para ninguém (v.27), o que poderia desacreditar sua mensagem
e de seus enviados. Dessa forma, não apenas pagou o que devia como imposto, tanto
a César como ao Templo, mas também ordenou que seu discípulo Pedro fizesse
igual.
“Mas, para não
escandalizá-los, vá ao mar e jogue o anzol. Tire o primeiro peixe que você
pegar, abra-lhe a boca, e você encontrará uma moeda de quatro dracmas. Pegue-a
e entregue-a a eles, para pagar o meu
imposto e o seu” Mateus 17:27
Jesus sabia que Pedro seria um porta-voz que faria com que as
pessoas ouvissem seu chamado. Por isso ele exigiu que Pedro não se tornasse escândalo
que pudesse impedir outros de usar isso contra a mensagem do Evangelho,
instruiu Pedro a abrir mão do que pensa e pagar seus impostos para que pudesse
ser ouvido por Judeus, Gregos, Romanos, Gentios e etc.
Da mesma forma, Jesus sabe que você e eu seremos porta-voz
dele aqui, e por isso mesmo deu o exemplo, para que nós também pagássemos
nossos impostos para não escandalizar Crentes, Impios, Políticos ou
Autoridades, de modo que possamos ser ouvidos por todos.
Se Jesus estivesse aqui, pagaria o Imposto de Renda!
É o que penso.
Walter H. C. Silva

Prezado Walter,
ResponderExcluirParabéns pelo texto, li e gostei muito do seu conteúdo, e de toda a forma como o tema foi abordado!
Alguém já disse que no Brasil os políticos são gerados a partir da matéria prima, que somos todos nós, a sociedade brasileira.
Então, se damos os famosos jeitinhos com pouco, potencialmente daremos jeitões enormes quando com muito poder e recursos em mãos.
Contudo, como bem expressado no texto, esse não deve ser o padrão a ser seguido, até porque o modelo e exemplo é de pureza e perfeição, em todos os aspectos.
Saudades de vocês!
Grande abraço!
A. Carlos