terça-feira, 8 de agosto de 2017

A VIDA, O TEMPO E EU...



 
A vida tem dessas coisas!!! É como uma viagem de avião, não se sabe a hora exata que a turbulência virá, mas só pelo fato de estar ali, cedo ou tarde ela virá.

Não há ser humano no mundo que gostaria de sofrer; se pudéssemos, todos nós, desejaríamos aprender sem sofrer, sem enfrentar a dor da desilusão, a amargura da tristeza e o ressentimento pela sensação do tempo perdido, contudo, é inevitável que soframos em alguma medida, não apenas pela dor do sofrimento, mas pelo propósito que ele carrega em si, o aprendizado.

Existem coisas na vida que não poderíamos aprender se não tivéssemos primeiro sofrido. Às vezes o amadurecimento é precedido de erros cometidos que resultaram em sofrimento. Quem já passou por um período de luto, de qualquer espécie, sabe do que estou falando.

Enquanto estamos sofrendo, com os olhos cheios de lágrimas pela dor que nos causaram ou pela dor que causamos em outro, não enxergamos nada além de um palmo de futuro. Contudo, o tempo é um professor incansável. É ele, o tempo, que espera as lágrimas secarem, quando podemos ver melhor, para nos mostrar o que antes era-nos impossível. É ele que assegura ao nosso coração que dias melhores virão, e quando esse dia chega, ele trata logo de lembrar-nos que estava com a razão. É ele, o tempo, que trata de dar ao nosso coração nublado um novo sol, mais radiante, mais forte, mais vivo, depois que as nuvens secam.

É o tempo que nos faz ouvir lá no fundo que não estava tudo perdido, que era apenas uma promoção para uma nova etapa da nossa carreira. Sem esse período de “teste”, não poderíamos seguir. Era necessário crescer, abandonar algumas armas desgastadas pelo uso a fim de arregimentar novas munições para o futuro. É o tempo que acalma nosso coração, que desfaz o desespero, que transforma a desilusão em esperança, que muda as cores do longa-metragem da nossa história, que reafirma estar tudo no lugar, faz brilhar a luz onde parecia haver apenas trevas. É ele, o tempo, que faz o trabalho que não podemos fazer. 

Não há nada melhor que dar tempo ao tempo. Como diz aquela canção do Tiago Iorc: 

“Pra começar, cada coisa em seu lugar, e nada como um dia após o outro;
Pra que apressar se não sabe onde chegar? Correm em vão se o caminho é longo.
Se tropeçar, do chão não vai passar, quem sete vezes cai  levanta oito;
O novo virá, para rearmonizar a terra, o ar, a água e o fogo.
E sem se queixar, as peças vão volta pra mesma caixa no final do jogo”.

Por isso, não é desejável sofrer, mas o sofrimento tem muito pra nos ensinar. Ele nos deixa mais fortes, mais sóbrios, mais aptos para a convivência, mais abertos para relevar, mais propensos para ensinar, mais mansos com os tolos, mais sábios diante dos ignorantes, mais maleáveis com os néscios, mais firmes em nossas escolhas, mais conscientes das consequências de cada passo. O sofrimento antecede a graça do crescimento. Não é desejável, mas é necessário.

Portanto, se te serve de conselho, não recuse o sofrimento, mas também não se entregue a ele. Viva o luto, sinta a dor, retenha disso tudo que puder, pois o tempo nunca falhou, ele logo vai tratar de te ensinar algo, ele vai lhe trazer a certeza de que foi necessário passar por isso.

As marcas que hoje carregamos, que fazem parte do que somos, são resultado desse luto. As pessoas mais sábias, são as que mais sofreram.

Dessa maneira, termino com isso: O choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria sempre vem pela manhã  (Salmos 30:5).

Walter H. S. Silva