A vida tem dessas coisas!!! É como uma viagem de avião, não
se sabe a hora exata que a turbulência virá, mas só pelo fato de estar ali, cedo
ou tarde ela virá.
Não há ser humano no mundo que gostaria de sofrer; se
pudéssemos, todos nós, desejaríamos aprender sem sofrer, sem enfrentar a dor da
desilusão, a amargura da tristeza e o ressentimento pela sensação do tempo
perdido, contudo, é inevitável que soframos em alguma medida, não apenas pela
dor do sofrimento, mas pelo propósito que ele carrega em si, o aprendizado.
Existem coisas na vida que não poderíamos aprender se não tivéssemos
primeiro sofrido. Às vezes o amadurecimento é precedido de erros cometidos que
resultaram em sofrimento. Quem já passou por um período de luto, de qualquer
espécie, sabe do que estou falando.
Enquanto estamos sofrendo, com os olhos cheios de lágrimas
pela dor que nos causaram ou pela dor que causamos em outro, não enxergamos
nada além de um palmo de futuro. Contudo, o tempo é um professor incansável. É ele,
o tempo, que espera as lágrimas secarem, quando podemos ver melhor, para nos
mostrar o que antes era-nos impossível. É ele que assegura ao nosso coração que
dias melhores virão, e quando esse dia chega, ele trata logo de lembrar-nos que
estava com a razão. É ele, o tempo, que trata de dar ao nosso coração nublado
um novo sol, mais radiante, mais forte, mais vivo, depois que as nuvens secam.
É o tempo que nos faz ouvir lá no fundo que não estava tudo
perdido, que era apenas uma promoção para uma nova etapa da nossa carreira. Sem
esse período de “teste”, não poderíamos seguir. Era necessário crescer,
abandonar algumas armas desgastadas pelo uso a fim de arregimentar novas
munições para o futuro. É o tempo que acalma nosso coração, que desfaz o desespero,
que transforma a desilusão em esperança, que muda as cores do longa-metragem da
nossa história, que reafirma estar tudo no lugar, faz brilhar a luz onde
parecia haver apenas trevas. É ele, o tempo, que faz o trabalho que não podemos
fazer.
Não há nada melhor que dar tempo ao tempo. Como diz aquela
canção do Tiago Iorc:
“Pra começar,
cada coisa em seu lugar, e nada como um dia após o outro;
Pra que
apressar se não sabe onde chegar? Correm em vão se o caminho é longo.
Se tropeçar,
do chão não vai passar, quem sete vezes cai levanta oito;
O novo virá,
para rearmonizar a terra, o ar, a água e o fogo.
E sem se
queixar, as peças vão volta pra mesma caixa no final do jogo”.
Por isso, não é desejável sofrer, mas o sofrimento tem muito pra
nos ensinar. Ele nos deixa mais fortes, mais sóbrios, mais aptos para a
convivência, mais abertos para relevar, mais propensos para ensinar, mais
mansos com os tolos, mais sábios diante dos ignorantes, mais maleáveis com os
néscios, mais firmes em nossas escolhas, mais conscientes das consequências de
cada passo. O sofrimento antecede a graça do crescimento. Não é desejável, mas
é necessário.
Portanto, se te serve de conselho, não recuse o sofrimento,
mas também não se entregue a ele. Viva o luto, sinta a dor, retenha disso tudo
que puder, pois o tempo nunca falhou, ele logo vai tratar de te ensinar algo,
ele vai lhe trazer a certeza de que foi necessário passar por isso.
As marcas que hoje carregamos, que fazem parte do que somos,
são resultado desse luto. As pessoas mais sábias, são as que mais sofreram.
Dessa maneira, termino com isso: O choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria sempre vem pela
manhã (Salmos 30:5).
Walter H. S. Silva

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho
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