terça-feira, 23 de novembro de 2021

DO LADO DE FORA DO PORTÃO

Como uma árvore, passei por várias estações, enfrentei chuva e seca, e também já estive totalmente quebrado, sem folha alguma. Mas, sobrevivi a tempestade, como um tronco profundo, que, após a tormenta, volta a viver, ao cheiro das águas. 
Não desprezo minhas lutas, cada uma delas me ensinaram e me fizeram o que sou hoje. 
Quando estive ao chão, conheci muitos amigos, alguns passageiros, outros mais duradouros, dos quais me estenderam a mão e me ajudaram a ficar de pé novamente. A maioria deles em mesa de Bar! Não nego e não maquio minha história. Foi em mesas de bar e nas altas madrugadas que obtive a maioria dos bons conselhos e dos melhores incentivos, acredite! 
Eu, que nunca perdi minha fé, assim como o tronco que sobra da árvore derrubada, consegui encontrar sabedoria e o favor de Deus por onde passei. Graça e Misericórdia intercalavam minha ceia matutina. 
E sabe o que aprendi nisso tudo? Que existem muitas árvores derrubadas por tempestades espalhadas por aí, e seria egoísmo de minha parte deixar de perceber isso.
Existem pessoas que têm dores das quais eu venci, e muitas delas não estão sentadas em bancos de igrejas! Existem vários "publicanos" sinceros fora de Jerusalém, fora dos muros da religião, fora das regras de convivência dos templos. Eles sofrem de verdade, choram de verdade. E quem irá reconhecê-los??? 
Nós, os cristãos, sabemos julgar muito bem a vida alheia, exatamente porque julgamos com base nas experiência que vivemos. Porém, somente quem já chorou sabe o gosto salgado das lágrimas. Eu não posso dizer que é exagero a dor de bater o dedinho do pé num lugar qualquer se eu nunca bati o dedinho do pé. Existem dores comuns, e sobre essas todos podemos opinar, ajudar, etc, mas existem dores específicas que só podem ser auxiliadas por quem teve a mesma dor. Eu não poderia aconselhar sobre divórcio se já não tivesse passado por um. 
Ninguém está impressionado com nossa profissão de fé, nem mesmo impactado com o fato de irmos à igreja todo domingo, de termos uma agenda lotada de coisas da igreja, de termos algum dom especial. Isso não faz a menor diferença!!! O que importa pra eles é se a nossa Luz brilha. Lâmpadas não falam, elas brilham, e elas brilham onde quer que estejam! Existem lâmpadas brilhando em lugares improváveis, e falo porque eu vi! 
Esse é o nosso chamado, brilhar! 
Eu tenho amigos de igreja e de bares, de lugares prováveis e improváveis, e eu decidi brilhar a Luz de Cristo perto de quem quer que seja, onde quer que eu esteja, pois não atravessei os muros da religião em vão, antes, é fora desses muros que as luzes brilham mais intensamente, já que a maioria decidiu voltar para o quintal da própria Religião. 
Faço dessa reflexão meu estilo de vida: Acenda sua lâmpada, onde quer que esteja, sempre haverá alguém procurando por um luz!
Boa Semana!