Nesta Segunda-feira (23), assisti o programa do Danilo Gentili em razão do entrevistado, Caio Fábio. O alvoroço no Twitter foi tão grande que fiquei curioso por ver tal entrevista. Estava acompanhado por minha esposa, e juntos, vimos aquele programa. Confesso que pensei em escrever algo sobre o assunto, em razão de tanta besteira que esse senhor falou em rede nacional, mas logo perdi a vontade, pois haveria de despender muito tempo para digitar algumas páginas contra algo que está completamente apodrecido. Nesse ponto, meus comentários se restringiram ao "sem comentário". Mas não são poucos os que dão algum tipo de crédito para este senhor que se apresenta como pastor. Muitos o consideram como o homem mais sensato no meio cristão, justamente porque em alguns pontos do seu discurso falamos a mesma língua, como, por exemplo, a aversão ao sistema industrial gospel que vivemos. Entretanto, isso não é suficiente para andarmos de mãos dadas.
Pois bem, achei um texto que define bem o que eu pensei em
escrever, e, sendo assim, publico também neste canal, como maneira de
expressar-me através deste texto escrito por Thiago Oliveira e publicado no
Site Púlpito Cristão (clique aqui para ver a fonte).
Por Thiago Oliveira
Foi ao ar uma entrevista com o
Caio Fábio, realizada por Danilo Gentili em seu programa, o The Noite (veja
aqui). O Caio foi apresentado como um dos mais polêmicos pastores, até mesmo
para os evangélicos. Entenda-se polêmico por herege, e o entrevistado até
assumiu isso dizendo que a acusação de heresia é resultante a sua declaração de
que o Antigo Testamento caducou. Foi um papo (digamos) interessante, que girou
em torno de meia-hora. A entrevista, gravada semanas antes causou um frenesi
entre os seguidores do Caio, que divulgaram bastante a entrevista. Afinal,
havia muito tempo que ele não tinha espaço na televisão.
Para quem não sabe ou não
conheceu, o auge do ministério do Caio Fábio se deu quando ele era um ministro
presbiteriano. Viajando por todo o país, lotando igrejas e auditórios, e tendo
inúmeros VHS’s e CD’s com seus sermões vendidos, ele havia se tornado uma
referência entre os cristãos evangélicos, sobretudo os protestantes históricos.
Era uma unanimidade. Mas o Caio de outros tempos caiu, como é passível de
acontecer com qualquer um de nós. A questão não foi o seu pecado, mas a forma
orgulhosa de não querer ser tratado. O seu orgulho causou a sua ruína
ministerial. Ferido, todavia inchado, juntou-se a outros também machucados e
criou o Caminho da Graça, para acolher aqueles que se denominam
desigrejados.
Quem não sabe quem ele é fica
impressionado, pois sua oratória é das melhores. Outro fator que atrai a
simpatia do público são as suas denúncias aos mercadores da fé. Caio começou
muitíssimo bem a entrevista. Disse algo que concordo: A igreja brasileira, no
geral, é manobrada por pastores mal intencionados e despreza o ensino. Isso é
notório, vide as heresias que são denunciadas aqui nesse blog. Ele bateu forte
no segmento Neopentecostal, mas bater nos neopentecostais é fácil, pois quem
tem um pingo de consciência sabe que suas práticas são antibíblicas. O negócio
é defender e preservar a sã doutrina em meio aos heréticos e mercadológicos
desvios do neopentecostalismo. E é aqui que o Caio Fábio pisa na bola, e feio.
Durante o programa, algumas
bobagens foram ditas (não perderei tempo com a questão dos extraterrestres).
Uma delas é que o Antigo Testamento está totalmente invalidado. Isto é uma
falácia muito fácil de se resolver. Os 10 mandamentos são uma amostra de que a
Lei tem uma parte observada, mesmo nós estando agora sobre a benção da nova
aliança. John Piper fala muito bem acerca disto:
1- Os sacrifícios de sangue
cessaram, pois Cristo cumpriu tudo para o que eles estavam apontando. Ele foi o
sacrifício final, irrepetível, pelos pecados. Hebreus 9:12: “Nem por sangue de
bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário,
havendo efetuado uma eterna redenção”.
2- O sacerdócio que ficava entre o
adorador e Deus não existe mais. Hebreus 7:23-24: “E, na verdade, aqueles foram
feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de
permanecer. Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio
perpétuo”.
3- O templo físico cessou de ser o
centro geográfico da adoração. Agora, o próprio Cristo é o centro da adoração.
Ele é o “lugar”, a “tenda” e o “templo” onde encontramos Deus. Portanto, o
Cristianismo não tem centro geográfico, nem em Meca, nem em Jerusalém. João
4:21-23: “Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste
monte nem em Jerusalém adorareis o Pai...Mas a hora vem, e agora é, em que os
verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai
procura a tais que assim o adorem”. João 2:19-21: “Derribai este templo, e em
três dias o levantarei...Mas ele falava do templo do seu corpo”. Mateus 18:20:
“Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio
deles”.
4- As leis alimentícias, que
colocavam Israel aparte das nações, foram cumpridas e acabadas em Cristo.
Marcos 7:18-19: “E ele [Jesus] disse-lhes: Assim também vós estais sem
entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode
contaminar, porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado
fora?... (Assim declarou puros todos os alimentos)”.
5- O estabelecimento da lei civil
sobre a base de um povo etnicamente fixado, que foi diretamente ordenada por
Deus, cessou. O povo de Deus não é mais um corpo político unificado ou um grupo
étnico ou um estado-nação, mas são peregrinos e forasteiros entre todos os
grupos étnicos e Estados. Portanto, a vontade de Deus para os Estados não deve
ser tomada diretamente da ordem teocrática do Antigo Testamento, mas deve ser
agora restabelecida de lugar para lugar e de tempo para tempo, pelos meios que
correspondam ao governo soberano de Deus sobre todos os povos, e que
correspondam ao fato de que a genuína obediência, enraizada como ela é na fé em
Cristo, não pode ser coagida pela lei. O Estado é, portanto, fundamentado em
Deus, mas não expressivo da regra imediata de Deus. Romanos 13:1: “Toda a alma
esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha
de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus”. João 18:36:
“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste
mundo, pelejariam os meus servos”. [1]
Estes são os pontos da Lei que não
vogam, pois Cristo os cumpriu. Também não estamos mais debaixo de sua
condenação. Todavia, sua moralidade não está caduca. É tanto que os apóstolos
se valem dos princípios veterotestamentários para trazer ensinamento a igreja
do primeiro século. Desprezar todo o Antigo Testamento é ir além do que Jesus e
os seus apóstolos fizeram ou ensinaram. Em Mateus 22:37-40, os dois grandes
mandamentos ensinados pelo Salvador são do Pentateuco: Levítico 19:18 e
Deuteronômio 6:5. Portanto, se nós amarmos a Deus e amarmos ao nosso próximo,
estamos cumprindo uma Lei do Antigo Testamento. Prova suficiente para atestar
que ele não caducou, como disse o Caio Fábio.
A outra bobagem foi a de relatar
uma possível contradição bíblica. Respondendo a uma questão levantada por
Gentili sobre os nefilins, Caio Fábio falou sobre Ogue, rei de Basã, e disse
que ele era um sobrevivente do dilúvio. O próprio Danilo ficou espantado com
isso, pois disse ter aprendido que só Noé e sua família sobreviveram. E o
apresentador está correto. A Bíblia é categórica:
“E toda a carne que se movia sobre
a terra, tanto de aves e de gado, e de animais, e de todo réptil que se arrasta
sobre a terra, e cada homem: Tudo estava em suas narinas o fôlego da
vida, tudo o que havia na terra seca, morreu. E cada substância viva foi
destruído o que havia sobre a face da terra, o homem e o gado, e os répteis e
as aves do céu; e eles foram exterminados da terra, e ficou somente Noé, e os
que estavam com ele na arca”. - Gênesis 7:21-23
A lenda de Ogue ter sobrevivido ao
dilúvio é folclórica e não histórica. Não há bases bíblicas e arqueológicos que
sustentem esta afirmação. Ademais, o Caio Fábio é conhecido por afirmar de
maneira axiomática coisas que a Bíblia sequer deixa claro. A regra hermenêutica
clássica é a de que a Escritura se auto interpreta. Obviamente, utilizamos
recursos como documentos históricos e achados arqueológicos para fazermos uma
boa exegese, no entanto estas ferramentas apenas nos servem de apoio aquilo que
está biblicamente claro, sendo extremamente perigoso usar de tais recursos para
tentar revelar aquilo que Deus soberanamente quis deixar encoberto aos olhos
humanos.
No fim da entrevista, vemos um
Caio bonachão, falando de suas experiências sexuais de uma maneira vulgar,
típico de quem quer se mostrar um cara livre das amarras da religião e parecer
descolado. Para atestar sua postura fala que Cristo era alguém tão boa praça
que não ligava para o fato de uma pessoa ser gay ou de uma mulher ser p*t*.
Este Jesus indulgente também está longe de ser o Cristo da Escritura. É bem
verdade que pecadores conviveram com ele, porém todos foram transformados pela
Palavra e abandonaram as práticas pecaminosas.
É extremamente perigoso o discurso
liberal do Caio Fábio. Fere a ortodoxia e estimula pessoas a abandonarem a
prática de congregar como igreja. Sabemos da imperfeição da natureza humana
presente na igreja visível. Só que devemos nos lembrar que a natureza divina da
igreja nos levará em triunfo para a glória. E para isso deve haver perseverança
no Corpo dos Santos até o fim. Sinceramente, fico triste por ver alguém com o
carisma e o intelecto do Caio prestando um desserviço ao Evangelho. Ainda mais
quando recordo de que ele já foi um cooperador do mesmo. Para alguns ele
continua pastor. Em certo sentido até parece com um, mas não é. Eu, como um
jovem aspirante ao Ministério, devo tomá-lo como exemplo de que o importante
não é começar bem, mas sim, terminar bem. Tal como Paulo, antes perseguidor da
Igreja, tornou-se o principal divulgador do cristianismo e disse
convincentemente:
“Combati o bom combate, acabei a
carreira, guardei a fé”. - 2 Timóteo 4:7
__________
Nota:
[1] - John Piper - Como Cristo Cumpriu e Acabou com o Regime do Antigo Testamento.

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho
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