sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eu aceitei a Jesus, disse um visitante...



Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome. Jo 1:12.

 

“Eu aceito a Jesus”, disse um visitante no culto de domingo à noite ao responder o apelo do pastor, em uma igreja qualquer... Depois disso, voltou pra casa, sentou no sofá, ligou a TV e voltou à vida normal, com uma diferença: mais um compromisso na agenda, ir à igreja aos finais de semana...

Muitos de nós achamos que por estarmos entre o povo de Deus, temos o direito de sermos chamados Filhos de Deus. O verso acima diz que aos que receberam a Jesus, está garantido o direito de serem chamados Filhos de Deus. O verso é verdadeiro, mas o que é falso é o que pensamos que ele significa.


Não há na Bíblia um único versículo que diz que receber a Jesus é aceitá-lo, convidando-o para entrar em nossa vida. Alias, se observarmos as Escrituras, a História da Igreja, não encontraremos nada parecido com o “quem quer receber a Jesus em sua vida?”. Isso deveria nos preocupar, porque é isso que fazemos o tempo todo. De onde tiramos tal modelo de convite? É bem provável que esta forma seja uma adaptação moderna dos apelos feitos por Charles Finney. De toda forma, não convidamos as pessoas, como se Jesus estivesse desesperado por conseguir um coração para morar. Nós proclamamos a mensagem, que é o eco da primeira mensagem pública de Jesus: “Arrependei-vos, pois é chegado o Reino de Deus” (Mt 4:17). Essa mensagem deixa o ouvinte desesperado para encontrar Jesus, não o contrário.

Uma vez que recebemos a Cristo, temos o direito de sermos chamados Filhos de Deus. Mas receber a Cristo é bem mais do que levantar a mão e aceitar Jesus. “Produzam frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:8). A prova de que alguém recebeu a Cristo, é que agora ela foi convencida do pecado, que ela odeia o pecado, e que ela vive se arrependendo dos pecados que comete. Não pode haver conversão se não houver um processo de arrependimento contínuo e habitual. Não nos arrependemos só quando chegamos a Cristo, mas todas as vezes que olhamos pra Cristo e nos comparamos a Ele. Ainda temos de nos arrepender.

Aceitar a Cristo é fazer o que ele manda. “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?” (Lc 6:46). Se alguém diz que é Filho de Deus, mas não faz nada que ele pede, como podemos acreditar? Isso não é julgamento, é discernimento. Ninguém olha um homicida e diz: “aí vai um homem de bem”. Suas obras provam o contrário. Não é julgamento, é discernimento. Não há como olhar para uma árvore que produz amoras e dizer que é uma goiabeira. “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7:16). O Cristão genuíno tem os frutos do Espírito. Se alguém diz estar na igreja, avoca pra si ser Filho de Deus, faz parte de qualquer ministério, etc., mas não prova por suas obras, por seus frutos que o é, só podemos concluir que o tal engana a si mesmo. É por isso que Paulo disse para examinarmos a nós mesmo para ver se ainda estamos na fé (2 Co 13:5).

Por isso mesmo, me questiono agora, e peço que você responda a você mesmo: Minhas obras, meus procedimentos, minhas escolhas, têm dado prova de que sou Filho de Deus? A forma como amo minha esposa, meus filhos, as pessoas, têm dito que recebi a Jesus de verdade? Minha confissão é apenas de boca ou minhas ações e intenções provam que eu o fiz Senhor da minha vida? Estou fazendo o que Ele manda? São perguntas que eu e você precisamos encarar com sinceridade. Se a resposta não for sincera, não haverá possibilidade de crescimento. Por isso, reflitamos diariamente em tais perguntas, para vermos se ainda estamos na fé.

Depois de anos na igreja, o tal visitante cai em si, chora todos os dias por seus pecados, e clama a Deus para que tenha misericórdia daqueles que chegam achando que tudo é festa... O tal visitante agora recebeu a Jesus de coração, e ainda continua diariamente lutando contra a carne e as trevas... Ele agora conhece a Deus, suas obras provam isso...

Walter H. C. Silva

5 comentários:

  1. Excelente texto! Triste, porém muito real...

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  2. realidade que precisa ser pregada em nossos púlpitos e fora deles também

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  3. Tai meu amado, acabo de me deliciar com mais esta pérola. chegou em boa hora esta reflexão. É para nos fazer parar, refletir e nos posicionar e ai está o grande desafio. Posição cristã à luz da Bíblia como Palavra de Deus. Quem ousa...??? Brigadão por mais essa. Bom final de semana. Paz-MM

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho

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