quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Perseverança dos Santos, como assim?




“Portanto ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, aproximam-se de Deus, pois vive sempre para interceder por eles” Hebreus 7:25


Tenho por mim que seja um pouco presunçoso de minha parte pensar que posso explicar com profundidade e perfeita compreensão a doutrina da Perseverança dos Santos, mas tenho que não seja alto tão nebuloso que não se possa elucidar.

Geralmente, o livro de Hebreus tem sido usado por muitas pessoas para indicar que os crentes podem cair da graça, que “não existe essa coisa de uma vez salvo, sempre salvo”. Eu mesmo já conversei com pessoas que usaram os textos de Hebreus para defender esse “acho que isso não existe”, e exatamente por isso que o texto escolhido para abrir esta reflexão foi o texto aos Hebreus.

Penso que podemos explicar a Doutrina da Perseverança dos Santos de várias formas, partindo dos textos bíblicos, passando pela lógica e terminando nas ilustrações práticas. Quanto mais entendemos as doutrinas da Graça, mais nos rendemos a um Deus Santo, Bom, Justo e Perfeito. Crer que Deus nos levará em segurança até o fim nos dá esperança e alegria em servi-lo com mais honra e temor.


Eu não posso compreender que um Deus Poderosíssimo poderia ter derramado seu sangue em vão, não tendo certeza se ao certo valeria seu sacrifício. Como Spurgeon, creio que nenhuma gota daquele sangue foi em vão, cada milímetro cúbico daquele sangue está derramado sobre as pessoas certas, garantindo a elas a Salvação. E mais, não posso admitir em mim que um Deus Santo, Eterno em Glória e Majestade, Grande e Inescrutável em seus caminhos, teria colocado seu precioso Sangue sobre cada pessoa, sem saber ao certo se aquela porção de Sangue foi ou não jogada fora. Pois é isso que teria acontecido se o Sangue de Cristo tivesse sido dado a todos os homens, mas a maioria tivesse entrado pela porta larga. Alguém pode imaginar a menor gota do Santo Sangue sendo jogado pelo ralo? Não posso pensar em Cristo, vindo salvar pessoas incertas, como se tivesse dito: “talvez alguém venha, mas se não vier, paciência, eu pelo menos tentei”. Isso é ridículo.

Agora, tendo entendido que Ele fez algo certo por pessoas certas e determinadas, da qual Ele, e somente Ele sabe quem são, como não crer que Ele mesmo as guardará, por amor de Si, sua Glória, seu Sangue, por amor a elas? Ele as guardará, garantindo que apresentará uma noiva Gloriosa para Si mesmo (Ef 5:27). Portanto, não somente as guardará do maligno (2Ts 3:3), mas as conduzirá por caminhos de santidade. Não foi assim que Ele guiou uma geração inteira por anos no deserto? Não foi assim que Ele conduziu o mesmo povo em seu Reino? Não foram eles conduzidos para o Cativeiro para que lá pudessem receber o favor de Deus, como disse Jeremias (Jr 24:5)? De lá não foram trazidos de volta para sua terra? Em corrupção de coração, de mente, não foram conduzidos até a chegada triunfal do Messias, quando puderam receber enfim a eterna segurança? Porque Ele teria mudado, já que nEle não há mudança nem sombra de variação (Tg 1:17)? Qual a razão de não continuar conduzindo-nos até a final promessa? Porque daria o Seu próprio Espírito como selo e garantia (2Co 1:22)? Eu nunca encontrei alguém que tenha dado um bem precioso como garantia e não tenha feito de tudo para recuperá-lo! A garantia de que Deus irá nos guiar até o fim para sermos santos é o Seu Espírito, dado como penhor. Ele irá “resgatá-lo” no tempo devido!

Jesus mesmo ficará satisfeito com o resultado do seu penoso trabalho (Is 53:11), quando ver todos aqueles homens e mulheres selados com o Espírito Santo, e ver sobre eles cada milímetro cúbico de seu Sangue, o comprovante de seu pagamento, sua preciosa e majestosa aquisição, Sua Igreja.

Contudo, isso não significa que cristãos verdadeiros não possam pecar, ou que não comentam erros terríveis, pecados assombrosos, pois todos pecam, e se alguém diz que não tem pecado, esse não conheceu a Deus (1Jo 1:10). Entretanto, o selo que está neles fará com que se arrependam por cada pecado, o mais insignificante que seja. Toda vez que eles olharem para seus pecados, observarem o selo posto sobre eles, reconhecerão que são posse de outro, pago por preço inestimável, reconhecerão que devem se arrepender, o selo de Deus garantirá isso, o Espírito Santo fará isso. Ninguém que foi comprado por alto preço, que foi selado com o Espírito Santo, continua com a vida de pecado, pois se assim for, é sinal que não foi comprado e muito menos selado.

Uma criança que atravessa a rua ao lado de seu pai, que a segura com muita garra e só a soltará quando estiver do outro lado da rua, jamais irá olhar para este pai e lhe deferir xingamentos, ao contrário, ela se alegrará por ele tê-la segurado, por ele tê-la conduzido no meio da rua, e por tê-la colocado em segurança do outro lado da rua. Assim nós, pequenas crianças, quando agarrados pelas mãos do Pai, somos guiados em segurança durante o caminho até o outro lado da rua, o Céu. Chegaremos até lá pela força que Ele agarra em nossas mãos, e não pela força que agarramos a Dele, pois temos mãos fracas, pequeninas, e é certo que soltaríamos. No entanto, Ele nos guia com mão poderosa, com braço forte.

É certo, ele guiará cada um dos seus filhos, cada aquisição sua, nenhuma gota será perdida pelo caminho, todos serão reunidos diante de sua face, cada ovelha será guiada pelo Seu Pastor, Ele não perderá nenhuma, pois o Pai não quer que elas se percam (Jo 6:39), e Ele garante que isso não acontecerá.

Assim, aqueles que usam o “uma vez salvo, sempre salvo” para manterem suas vidas pecaminosas, dão prova de que nunca O conheceram, só ouviram falar, mas não o viram, não contemplaram Sua Majestade, e provam que não são um dos nossos (1Jo 2:19), não são ovelhas do nosso pasto. Esses receberão justa recompensa, mas nós, seremos guiados em segurança, e se cairmos, cairemos sempre sobre a Rocha, nunca aparte dela, pois, estando caído sobre ela, ela mesma nos levantará. Cristo é a Rocha que mantém nossos pés firmes, e é Ele quem nos impulsiona a levantar outra vez, e, estando sempre sobre a rocha firme, aquele que intercede por nós garante nosso levantar. 


Walter H. C. Silva

5 comentários:

  1. muito bom!!!
    finalmente elucidado rsrsrsrs

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  2. Espetacular este texto. Seu conteúdo é espetacular.

    Deus abençoe voce.

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  3. Paz irmão! Muito completo e profundo este estudo...
    Único termo bíblico que vejo apoiar a "perda da slavação" é a apostasia. Isso acontece com crentes (ver Hebreus 6.1.9). Jesus seja contigo, aliás, com vcs três!
    Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,

    E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.

    E isto faremos, se Deus o permitir.

    Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo.

    E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,

    E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.

    Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus;

    Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.
    Hebreus 6:1-8
    Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,

    E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.

    E isto faremos, se Deus o permitir.

    Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo.

    E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,

    E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.

    Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus;

    Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.
    Hebreus 6:1-8

    Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,

    E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.

    E isto faremos, se Deus o permitir.

    Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo.

    E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,

    E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.

    Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus;

    Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.
    Hebreus 6:1-8

    Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus,

    E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.

    E isto faremos, se Deus o permitir.

    Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo.

    E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,

    E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.

    Porque a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus;

    Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada.
    Hebreus 6:1-8

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  4. Não sou calvinista, não sou reformado; sou arminiano.
    Creio que Jesus morreu por todos, que há salvação para todos, por isso o Evangelho deve ser pregado para todos.
    Quem ouvir e crer será salvo.
    O salvo pode apostatar da fé.
    A fé é o meio pelo qual podemos ser salvos e o meio para permanecer salvo (Ef 2.8,9; 1Pe 1.5).
    Não entendo que Jesus tenho morrido apenas para os "eleitos". Jesus morreu por todos. Vejam a boa notícia de que Deus "amou o mundo de tal maneira".
    Ora, se Jesus morreu só por alguns, então isso não é uma boa notícia, não é Evangelho.
    Calvinistas costumam falar da soberania de Deus, esquecendo-se do amor de Deus.
    Deus escolheu, em Jesus, todos para a salvação. Cabe ao ser humano ouvir isso e crer nisso. A escolha é do ser humano, pois ele é responsável e não um mero boneco.

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    1. Um grande equívoco que há a respeito dos calvinistas (os sinceros e humildes, não os hiper-calvinistas nem os calvinistas carnais, como me referi no texto) é que eles se preocupam apenas com os eleitos, ou que estejam dispostos a salvar apenas os eleitos. Isso é um equívoco, pois nossa pregação é para todos, pois "quem tem ouvidos para ouvir, que ouça". Nossa preocupação é com todos, e isso se deve ao fato de que NENHUM CALVINISTA pode supor ou prever quem Deus tenha escolhido dentro o povo, logo, a pregação e a obra tem de ser direcionada a todos. A única diferença é que sabemos que aqueles a quem Deus chamou antes da fundação do mundo virão até Ele.
      Sobre Jesus ter morrido por todos, minha expressão no texto diz como penso. Respeito quem pensa diferente, e creio não ser isso motivo de dissensões e separação entre crentes.
      Sobre o Amor de Deus, A soberania é um atributo de Deus, assim como o Amor. Nem o Amor e nem a Soberania se sobrepõe, assim como a Justiça e a Misericórdia são inerentes à Deus. Deus é tudo isso, e isso tudo representa o Caráter Santo de Deus. Não creio que o amor esteja acima dos demais atributos, ele é apenas mais um dos atributos de Deus. Mais que Amor, Deus e, antes de tudo, Santo.
      Sobre a capacidade de escolha do ser humano, creio realmente que não somos bonecos, temos vontades e desejos, e em razão disso,muitas vezes escolhemos pecar ao invés de santificar. Mas creio que isso não afeta em nada a capacidade de Deus de governar além, acima e apesar das minhas vontades. Creio que é papel do Espírito Santo conduzir minha vontade até Deus, pois sozinho eu não o faria, pois, antes dele agir, eu estava morto em meus pecados, e mortos não escolhem. Se tenho minha vontades afeiçoadas com a pessoa de Deus, é pq o próprio Deus se afeiçoou a mim e me fez, por influência do Seu Espírito, sentir isso. Isso é Amor, também.
      Isso é soberania, Deus é Deus, e eu não, ele decide. A representação básica para demonstrar que não somos "bonecos" desprovidos de sentimentos a comando de um Deus rancoroso, é o episódio de Josafá com Acabe (1 Rs 22). Deus avisa Acabe que se fosse pra guerra morreria. Cabia a Acabe obedecer ou não, mas ele tentou fazer do seu jeito, escolheu livremente ir, disfarçando-se para não ser reconhecido como rei, entretanto, a soberania de Deus prevaleceu. Ele morreu como tinha sido anunciado. Deus permaneceu sendo soberano enquanto o homem foi livre. Somos livres, o problema é que nossas escolhas estão infectadas pelo pecado, e isso nos inclina para o mau, as vezes. Se Deus não atuar soberanamente sobre nossa vontade, não para forçá-la, mas para influenciá-la, que seria de nós hoje?

      Abraços..

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho

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