terça-feira, 19 de agosto de 2014

Quem fundou a Igreja? Jesus criou a Religião?




Estas perguntas me foram feitas por uma amiga muito querida, sedenta, que é uma verdadeira pescadora de alma. Entretanto, entre os que “estão sendo pescado”, sempre há aquele um que é erudito no seu conhecimento, questionador, disposto a discutir o quanto for para não se apartar de suas convicções sinceras, porém, erradas. Por isso, e não somente por isso, que devemos nos apresentar a Deus como Obreiros Aprovados, que manuseia bem a Palavra da Verdade, não tendo do que se envergonhar (2 Tm 2:15).

Entretanto, é importante lembrar que um indivíduo que normalmente foge de uma discussão acerca da verdade, que pode salvar vidas e esclarecer mentes, em nome da “boa vizinhança”,  é um covarde, visto que por sua renuncia talvez deixe de salvar um homem; entretanto, do outro lado da via, aquele indivíduo que vive em busca de discussões como estas e se orgulha disso, é, na verdade, um arrogante e prepotente, que busca glória própria de seus conhecimentos. Dessa forma, buscar ou fugir de tais coisas, nem sempre é bom, ou nem sempre é ruim, tudo depende do Espírito de Deus, que nos ensina: “a paz de Cristo seja o juiz em seus corações” (Cl 3:15).

Da mesma forma, é importantíssimo lembrar que discutir por discutir para provar quem está com a verdade não é correto, a luz das Escrituras, uma vez que intelecto por intelecto não significa nada. Lembre-se que as coisas de Deus se discernem espiritualmente e não podem ser compreendidas pelo homem natural (1 Co 2:14), e que somente o Espírito Santo convence os homens dos seus pecados, dos erros, da justiça de Deus e do seu divino Juízo (Jo 16:8), sendo assim, você pode pregar o quanto quiser, falar e discutir o quanto quiser, vai alcançar apenas a mente da pessoa, e a mente natural dela irá rebater até o final, contudo, apenas o agir sobrenatural do Espírito Santo pode alcançar o coração do inquiridor e convencê-lo a se converter a Cristo. Portanto, se nossas conversas e pregações não forem precedidas de vidas santas e consagradas, dedicadas a Deus em oração secreta e jejuns constantes, não haverá sucesso, e é capaz de você perder seu amigo para sempre, pois sem o Espírito Santo, você será reconhecido como Arrogante, Prepotente, que se acha detentor da verdade. Fujamos disso. O livro de Provérbios é recheado de conselhos práticos para coisas como estas, e se o levarmos em consideração, teremos sucesso nos nossos relacionamentos.


Sendo assim, vou tentar responder as perguntas de forma clara e simples (apesar de não ser um assunto fácil).

1º. JESUS FUNDOU A IGREJA E A RELIGIÃO?

Quando Jesus veio ao mundo, veio pra fazer exatamente o que estava proposto para Ele fazer, isto é, redimir o povo santo e escolhido de Deus (Gl 4:5, Is 62:12; Dt 14:2), reconciliando-os com Deus (2 Co 5:19; Ef 2:16), tornando-se o único caminho para que o homem se aproxime de Deus (Jo 14:6). Para isso, era necessário que Jesus viesse como homem, para redimir homens, pois foi homens que pecaram (Rm 5), e dessa forma, como homem, representando todos os homens (Rm 5:19), Jesus teve de morrer na Cruz e levar sobre seus ombros os pecados daqueles que Ele se propôs a redimir (Is 53:4-6; 1 Pe 2:14; Jo 3:14), ou seja, Jesus se tornou pecado naquela cruz (2 Co 5:21; Gl 3:13) e então o pecado recebeu no corpo de Jesus a justa recompensa (Hb 2:2), a Ira de Deus (Rm 5:9, Sl 5:5; Jo 3:36), e isso tornou-se o pagamento que todos merecíamos (Rm 3:23; 6:23). Todos deveríamos morrer, mas Jesus morreu em nosso lugar, e agora, depois de ter ressuscitado, subiu para a Destra de Deus (1 Pe 3:22; At 5:31; 2:33; Cl 3:1; Hb 10:12) e intercede por nós (Rm 8:34; 1 Jo 2:1). Agora, escondidos nele (Cl 3:3), e apenas nele, temos acesso a Deus (Ef 3:12), porque somos considerados Justos, não porque deixamos de ter pecados, mas porque confiamos que a Justiça do Deus-Homem Jesus é colocada sobre nós (Is 45:25; Rm 3:24; 5:9; 5:19; At 13:39), e apenas por isso Deus nos aceita. Esse é o resultado da Justificação!

Assim, o que Jesus veio fazer? Nada além do que foi dito. Não, Ele não veio fundar uma religião ou uma igreja, mas veio salvar o Seu povo.

2º - De onde então surgiu a igreja e a religião Cristã?

Sabemos que somos chamados para glorificar a Deus, sendo a imagem e semelhança de seu filho Jesus (Rm 8:29). Devemos ser como Ele, andar como Ele andou, seguir o exemplo que Ele nos deu (Jo 13:15), assim, quando formos semelhantes a Ele, então Deus será glorificado (2 Ts 1:12). Deus não é glorificado quando abrimos uma igreja, nem quando entramos numa. Deus não é glorificado por simplesmente sermos curados, outras “religiões” também ministram curas e milagres, é só lembrar de Faraó e Moisés (Ex 7/12). Mas Deus é glorificado e recebe toda a honra que um homem pode dar quando este homem se parece em tudo com Cristo. Pra isso fomos chamados, e tudo, absolutamente tudo que acontece na nossa vida é para nos fazer mais parecidos com Cristo (Rm 8:28). Então, sendo assim, se eu sou curado, é para que essa cura me torne mais parecido com Ele, e se eu deixo de ser curado, também é para que isso me torne mais parecido com Cristo. Todas as coisas cooperam para isso, até as tragédias; todas tem o objetivo de nos tornar mais semelhantes a Cristo, visto que não veremos a Deus se não nos parecemos com seu Filho, isto é, Santos (Hb 12:14; Lv 20:7; 1Pe 1:15).

É certo que se eu seguir um homem eu me torno parecido com ele, como por exemplo, um filho é igual ao seu pai nos costumes e pensamentos. Já ouviu alguém  dizer: “você se parece com seu pai”? Vemos isso na história da igreja e do mundo. Existiram muitos homens parecidos uns com os outros. Havia um homem chamado Ariano nos tempos antigos, seus seguidores, que eram parecidos com ele nos pensamentos e atitudes, se tornaram conhecido por “Arianos” e seus pensamentos por “Arianismo”, bem como aquele que eram parecidos com Pedro Valdo se passaram a serem chamados de “Valdenses”; os seguidores de Jacob Arminius se tornaram os “Arminianos” e suas teses o “Arminianismo”, de João Calvino se tornaram os “Calvinistas” e suas idéias o “Calvinismo” e etc. Assim, o que se queria dizer era quase isso: “Puxa, como vocês se parecem com Arminius, ou com Calvino”, ou ainda, “vocês se portam como Martinho Lutero, portanto, são todos Luteranos, ou Arminianos, ou Calvinistas, ou Wesleyanos”.

Nessa linha de raciocínio, veja o que disseram de Pedro acerca dele ser um homem que andava com Cristo: “Certamente você é um deles! O seu modo de falar o denuncia" (Mt 26:73). Os que andam com Jesus Cristo, sendo guiados pelo Espírito Santo certamente se tornarão parecidos com Ele. Veja o resultado disso no livro de Atos: “Em Antioquia, os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos” (At 11:26b). Pelo raciocínio lógico que fizemos no início, não é fácil discernir que os seguidores de Jesus se pareciam com Ele, e também criam no que Ele ensinava, e também propagavam seus ensinamentos, ao ponto de serem denunciados pelo seu jeito de falar, como foi Pedro. Assim, os Crentes em Jesus se tornaram conhecidos como Cristãos e suas doutrinas como “Cristianismo”. Dessa forma, somos Cristãos não por entrarmos em uma igreja e fazer parte de um povo que se chama assim, mas unicamente por nos parecemos com Ele, Cristo.

Portanto, se alguém reivindica ser Cristão por estar no meio de Cristãos, mas não se parece em nada com Cristo, esse tal não é e nem pode ser chamado de Cristão, e devemos dizer isso a ele, pois está sendo enganado por seu próprio coração. Alguém por ventura dirá: “Creio em Deus, por isso sou cristão!”, mas se assim fosse, demônios seriam cristãos, pois eles crêem que Deus existe, e mais que muito “crentes”, eles tremem por saberem que Deus existe (Tg 2:19).

Agora, portanto, está explicado biblicamente de onde surgiu a religião Cristã, vem daqueles que propagam os ensinos de Cristo e se parecem com Ele no seu caminhar diário!

3º - E o que é igreja? E porque há divisões entre religião Católica e Protestante? E porque entre Protestantes e Católicos há divisões?

Bom, este é um assunto delicado, complicado para se dizer em poucas palavras, mas nada tão nebuloso que não possamos tentar elucidar de maneira mais resumida possível.

Na era do Velho Testamento, quando Jesus veio, e também depois disso, haviam as sinagogas e templos (Jo 6:59; At 17:1; Mt 21:14), que era um local físico onde reuniam-se o povo para adorar a Deus e prestar louvores e sacrifícios (Lc 24:53; Js 8:31). Entretanto, Deus não estava preocupado com o local em que povo iria se reunir, mas com a forma como se reuniam, ou seja, com coração quebrantado, arrependido e puro (Sl 50:8-13; 51:17) . Daí pode-se ter idéia, numa explicação bem simples do porque ainda nos reunimos em templos e igrejas, pois o que fazemos ali é só reflexo do que devemos fazer singularmente em casa, em todo o tempo. Assim aconteceu depois que Jesus morreu. Paulo pregou nas sinagogas (At 19:8), onde o povo estava reunido, não apenas aí, mas no tribunal (At 25-26), nas escolas (At 19:9), como fez em Éfeso.

Contudo, o significado do termo “igreja” vem do grego εκκλησία [ekklesia] e latim Ecclesia, que traduz-se por “chamados para fora” (existem outras definições, mas no nosso contexto, essa é digna de aceitação). E aqui, o “chamados para fora” pode ter vários sentidos, mas o que quero me concentrar é este: Separado. O termo que usamos o tempo todo - “santo” - no nosso contexto quer dizer “separado”. Explico!
Igreja é um povo que é chamado para ser santo (1Pe 1:15-16). Como assim? Separado? Chamados para fora da onde? – De fato, aqueles que são de Deus não são deste mundo (Jo 15:19), estão aqui de passagem (1Pe 2:11; Hb 11:13), pertence a outra cidade, a celestial (Hb 11:16), buscamos aquela cidade (Hb 13:14), não esta, que chamamos de mundo. Este mundo acaba, com ele tudo acabará (2 Pe 3:10), para dar lugar a Cidade Santa (Ap 21:2), e a igreja de Jesus é chamada para fora deste mundo, para deixar os pecados que aqui existem e viverem Separados, a parte, Santos, enquanto vivem aqui. São convocados a convocar todos os homens a se tornarem Igreja, para ter um viver Santo (At 17:30), e então possuir a cidadania celeste. A igreja física que conhecemos não é mais que um prédio, uns grandes, outros pequenos, mas a Igreja de Deus mesmo está no coração de cada Cristão, porque todos são “igreja” do Deus Vivo (1Pe 2:9; 2Co 6:16,19).

Entretanto, se analisarmos o decorrer da história da Igreja, alguns homens se tornaram arrogantes quanto a esta verdade e se fizeram donos da igreja. Tudo porque não entenderam a palavra da verdade e distorceram textos bíblicos, colocando-os fora de contextos. Alias, é interessante notar que a maioria das seitas nascem da má interpretação bíblica, pois ao interpretar os textos errados, nascem os dogmas e tradições cegas. Assim também com as igrejas que conhecemos.

No início da história da Igreja, na Patrística (nome dado à filosofia cristã dos primeiros sete séculos, elaborada pelos Pais da Igreja) ouviu-se pela 1ª vez Inácio de Antioquia, para designar a Igreja, dizendo: "Onde quer que se encontre o bispo deve encontrar-se a comunidade, assim como onde encontra-se a comunidade, assim como onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica". Nesse sentido, o termo “católico”, na sua etimologia, é melhor  traduzido por “universal”, há ainda outros significados, dependendo do contexto, que pode ser “pleno”, “completo”, “perfeito”, e na frase de Inácio de Antioquia pode-se bem aplicar os dois sentidos (tais como o termo “chifre” da tradução da Bíblia Almeida Fiel, que é 100% fiel à tradução original de Almeida de 1681/1753, pode no contexto significar “poder”, “autoridade”, ou “chifre de boi”, usado para pôr e guardar líquidos, tal como fazemos com o Tereré). Assim, da mesma forma, Igreja Católica significa literalmente a Igreja Universal de Deus, completa, que é plenamente satisfeita nEle, que abrange todos os Crentes em Jesus.

Contudo, os lideres da Igreja de Roma se apoderaram deste termo para impor sua autoridade e sua “detenção da verdade”, nascendo então a Igreja Católica Romana (sobre este nascimento e conseqüência, não trarei aqui, pois tem muita coisa, e neste caso é bom ler um livro sobre história da Igreja, e eu indico o “Cristianismo através dos séculos – uma história da Igreja Cristã”, de Earle E. Cairns, [excelente livro]). Ora, se é Romana, isto é, de Roma, já não é universal, sendo, portanto, inviável usar o termo atualmente para descrever todos os Crentes em Jesus. Contudo, se algum Cristão Protestante disser: “eu sou da igreja católica de Deus”, não a Romana, ele está falando que é um Crente que faz parte da Igreja Universal que só o Senhor sabe quem é, os verdadeiros, os genuínos, aquilo que chamamos de “Igreja Invisível”.

Contudo, a contextualização do termo na sociedade atual faz ligação inevitavelmente ao Credo dos Católicos Romanos. Naquela época, os da Igreja de Roma afirmaram serem detentores da verdade, e que só a igreja de Roma era a igreja de Deus, e que só os seus bispos eram os enviados por Deus, fazendo com que os fieis acreditassem que o seu Líder Maior fosse infalível, isto é, a infalibilidade papal, ou seja, o Papa nunca erra. Depois disso, nos períodos da história, alguns homens discordaram disso porque acreditavam que o único infalível era o próprio Cristo, como de fato é, e se opuseram a este ensinamento, bem como muitos outros, como as indulgências. Alguns foram mortos por causa disso, tais como John Hus, Willian Tindale, Policarpo, Eusébio de Cesaréia, os 40 Mártires de Sebaste, Os Valdenses, os Anabatistas, etc.

Diante desse pano de fundo, um homem chamado Martinho Lutero, ao estudar as Escrituras no monastério que vivia, foi tendo as revelações divinas, e através de toda a Escritura, principalmente pelo livro de Romanos, teve a certeza de que algumas coisas estavam bem distantes da realidade Cristã e que a Salvação era apenas por fé, não obras (Ef 2:8-9). Então, em 31 de outubro de 1517, este homem elaborou o que chamamos de “As 95 Teses”, e pregou na porta da Igreja de Wittenberg, Alemanha. É importante destacar que Lutero não desejava dividir a igreja, mas apenas colocar em discussão as práticas da Igreja de Roma, como está escrito na explicação encontrada na introdução das suas 95 teses. Contudo, isso foi inevitável, pois foi considerado como um herege. Daí então, após as teses de Lutero percorrerem por toda a Alemanha e depois ao redor do mundo, alguns bispos concordaram, aderiram e, logo, se reformaram nos seus pensamentos, tendo então dado raiz ao título  “Reforma Protestante”. Daí em diante, a Cristandade de dividiu em Católicos Romanos (os que não mudaram em nada e tiveram Lutero como herege) e Protestantes (que protestaram contra a Igreja Romana junto com Lutero, reformando-se em tudo: liturgia, pensamento, ensinamento, autoridade eclesiástica, intermediação entre Deus e homens, etc). Por isso somos chamados Protestantes, porque ainda hoje aderimos aquelas idéias e temos uma postura “protestante” em relação a tudo quanto a Bíblia denomina “inimigos da Cruz” (Fl 3:18).


É importante lembrar que não haviam divisões alguma na Igreja que surgiu nas primeiras décadas após a morte de Jesus (At 2:41-47). Contudo, parte da reinvidicação da Igreja Romana de que apenas ela é a Igreja Verdadeira, e que fora dela não há verdade de Deus, está neste versículo: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18). Neste verso mora a falta de discernimento desde o início de tudo. Alguns dizem que Pedro foi Bispo em Roma e de Antioquia, eu, porém, tenho a minha opinião particular, mas isso não quer dizer nada. No inicio se cogitou que Jesus estava afirmando que “sobre esta Pedra” queria dizer que sobre o ministério de Pedro a Igreja seria firmada, já que Pedro tende-se a traduzir-se por “pedra” no original, e que Pedro, ali, com Jesus, estava sendo ungido o primeiro líder da Igreja que surgia então, recebendo por alguns o título de “1º Papa”.  Entretanto, não é isso que o texto afirma, e não precisa ir muito longe, nem de uma exegese profunda, nem precisamos entender de hebraico e grego para ler nos originais o termo correto. É só colocar o versículo no seu devido lugar, isto é, no contexto. Veja por um momento comigo.

Jesus, por tornar-se conhecido pelo seu ministério, ao chegar em Cesaréia de Filipe, pergunta aos seus discípulos “Quem os homens dizem que o Filho do homem é?” (Mt 16:13). A resposta foi clara, “uns dizem que é João Batista, outros Elias, outros ainda Jeremias ou um dos Profetas”. (v14), Então Jesus pergunta para eles, que já estavam com Jesus há bastante tempo, já tinham visto milagres, curas, o caráter de Cristo, queria saber deles o que ele acham que Ele era. A resposta veio tão somente de Pedro, que disse “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” e Jesus respondeu-lhe: “Feliz é você, Simão, filho de Jonas! Porque isto não lhe foi revelado por carne ou sangue, mas por meu Pai que está nos céus. E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê-la” (Mt 16:17-18). Lembre-se que as coisas do Espírito não podem ser discernidas a parte dEle (1 Co 2:14), e portanto, quem revelou ao coração de Pedro que Jesus era aquele que os Profetas profetizaram foi o Espírito de Deus, da mesma forma como você e eu cremos também, pois se o Espírito Santo não nos tivesse tocado no coração para entender e discernir as coisas do alto, jamais poderíamos entender tal coisa. Jamais entenderíamos sem o Espírito que o nosso Mestre é ungido pra morrer por um povo, e que este povo é chamado para morrer com Ele, para ressurgir nEle e viver por Ele, e que esta morte serve de expiação pelo pecado de gente que ainda nem nasceu (Hb 7:27; 9:12), mas que vai Crer na sua Pregação. Sem o Trabalho do Espírito Santo de Deus, o fruto do nosso trabalho é vago.

Assim, quem revelou a Pedro tais coisas foi o próprio Deus. Jesus reconheceu isso. Imagina hoje, alguém se converte a Deus, começa a ser acompanhado por um cristão genuíno, e esse alguém começa a crescer na graça e no conhecimento (2Pe 3:18), ao ponto de ficar evidente seu crescimento, até que seu discipulador possa dizer todo entusiasmado: “Puxa, que maravilha que Deus está fazendo na sua vida, você está crescendo em Deus, Ele tem te dado conhecimento para a vida eterna, tem feito em você uma obra genuína de santificação, e você tem demonstrado isso, que Deus começou um boa obra em você. Você é muito abençoado, porque Deus está trabalhando em você”. Pois é, é como se Jesus tivesse dito isso a Pedro.

Agora prossiga comigo no texto para o verso 21/22 que diz: “Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. E Pedro, tomando-o de parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso. Depois disso, Jesus chama “aquele que havia constituído o 1º Papa” de nada menos que Satanás. Como pode Jesus ter acabado de ungir um Papa e 02 minutos depois chamá-lo de Demônio, pior, de Satanás? A resposta é que Pedro não foi ungido Papa e nem muito menos é a Pedra que sustenta a Igreja do Deus Vivo. Ele mesmo não se considerava como tal: “À medida que se aproximam dele, a pedra viva — rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele — vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo. Pois assim é dito na Escritura: "Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será envergonhado".  Portanto, para vocês, os que crêem, esta pedra é preciosa; mas para os que não crêem, "a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular" (1 Pe 2:4-7).

A Pedra angular que sustenta firme a igreja é e sempre foi Cristo, e Pedro sabia disso, e como os outros cristãos, Pedro também era uma pedra viva que, como tijolos levanta paredes, juntos edificam uma igreja Santa e Espiritual, pois no v.9 ele afirma que somos todos, como ele, povo santo, sacerdócio real e geração eleita para juntos edificarmos a Igreja Invisível de Deus, da qual somos uma pequena pedra. Portanto, se Pedro é a pedra que edifica a igreja, nós também somos, e se Pedro foi chamado de Satanás, é porque, apesar disso, continuava sendo homem e falho, assim como todos nós. Nem ele e nem outro homem é infalível, todos erramos, e se Jesus estivesse nos nossos dias, e nós fossemos seus discípulos pessoais, talvez alguns de nós seriamos também chamados de Satanás por causa das nossas atitudes incrédulas e infantis quanto a Reino que Ele se propôs a Restaurar.  

4º - 1ª CONCLUSÃO

Assim sendo, quando nos reunimos, depois de termos nos divididos em Protestantes e Católicos, ainda assim nos dividimos em Tradicionais, Pentecostais, Neo-Pentecostais, Emergentes, Católicos Romanos, Carismáticos, Avivados, e tudo mais, e dentro dessas linhagens ainda temos um leque imenso como Presbiterianos, Batistas, Assembléias, Nazarenos, Luteranos, Católica Ortodoxa, Renovada e etc. Por que isso? A resposta que eu daria é que há muita confusão acerca das coisas de Deus, e uns defendem uma coisa, e os que não concordam vão para rumos diferentes, tal como fizeram, por exemplo, dois homens grandemente usados por Deus, George Whitefield e John Wesley (o primeiro era calvinista e cria piamente na Soberania de Deus, já o segundo era arminiano e cria na liberdade do homem, isto é, no livre arbítrio). Destes dois, os seguidores de Wesley formaram então a Comunidade Metodista, que deu raízes aos Metodistas Wesleyanos de hoje. John Wesley chegou a dizer a respeito da doutrina calvinista: “esse lixo calvinista!”. Por coisas como estas homens se dividem e seguem cada um o seu rumo.

O Orgulho também é grande motivo de divisões, pois a submissão deve ser praticada pelos crentes, não a submissão cega, mas àquela que cristãos genuínos fazem aos seus lideres claramente instruídos na verdade e portadores da Graça Salvadora de Deus. Homens não regenerados não se submetem, e não estão dispostos a conversar ou considerar opiniões alheias para saber se de fato estão sinceramente enganados. Isso causa divisões. São vários motivos que levam os homens a se dividirem, mas todos se concentram nisso: “PECADO”. Todos Pecam (Rm 3:23), são devassos pecadores e miseráveis mortais que carecem da iluminação divina, e quando esta lhes falta, são guiados pelos seus “EU’s”, e caem em contendas, pois o coração do homem é a parte da criação mais contaminada pelo Pecado, mais débil e mais depravada que possa existir (Jr 17:5,9; Sl 94:11)

5º - 2ª CONCLUSÃO

Por fim, a conclusão que eu quero dar a vocês é: Você ser membro da Igreja Batista, da Presbiteriana, da Luterana, da Católica Romana, da Assembléia, da Universal ou da Mundial do Poder de Deus não quer dizer absolutamente nada a seu respeito. Ir à igreja não faz de você um Cristão como ir ao Mac Donald’s não faz de você um Hambúrguer. Você só pode ser considerado um Cristão se você de fato se parecer com Ele, Cristo. Se o seu jeito, sua fala, seus pensamentos, as coisas que você acredita, o que você faz, onde você vai, as coisas que você vê e escuta, as obras que você executa não denunciar que você se parece como Jesus, assim como as de Pedro o denunciou, você jamais poderá ser considerado Cristão, e por isso está correndo grande perigo, pois o dia vem em que Jesus vai voltar para buscar os que são seus, os que se parecem com Ele, que transmitem a Glória dEle, e são alimentados por Ele, apenas por Ele.

Não quero tirar a sua alegria, seja você Protestante ou Católico, quero dá-la a você. E ela só pode ser encontrada em Jesus. Não há outro fora dele, ninguém nunca foi à Deus aparte de Jesus, e ninguém nunca irá até Deus sem Ele. Qualquer outro caminho que não seja Cristo é heresia e deve ser denunciado. Cristo é o Único intermediador, o único que intercede, o único que está diante de Deus, Ele não precisa de ninguém para ajudá-lo, Ele é Deus, Ele faz o que lhe apraz e nada pode contê-lo, e exatamente por isso é que os demônios tremem, porque sabem que o que Deus disse, isso Ele vai fazer, e nós também deveríamos tremer.

Há uma realidade, apesar das divisões dos homens, Deus permanece sendo o Único, e apenas os Cristãos terão acesso a sua Majestade!

Quem Criou a Igreja? Deus Criou a Sua Igreja, o seu povo, e cuidará deles. Quem inventou denominações? Homens pecadores!

Espero ter ajudado de alguma maneira, esta é minha oração!

Walter H. C. Silva
Membro da Igreja do Deus Vivo

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho

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