O texto a seguir está registrado no livro "A vida de David
Brainerd", compilado por Jonathan Edwards, Pag. 107, do dia 29/12/1745.
O texto por si só se justifica. Não é crítica, é auto avaliação do
que realmente cremos, e de que forma temos esperança naquilo que cremos.
Pra quem não conhece, David Brainerd foi missionários nas tribos
de índios Pele Vermelha, tendo morrido aos 29 anos. Contudo, sua vida e devoção
ficou marcado na história, e impulsiona muitos missionários até hoje,
incentivado-os a repetir o mesmo feito, através da coragem e confiança em Deus.
O livro, na verdade, trata-se de um diário, e vale muito a pena ser comprado e
lido.
Deus Abençoe a todos!
Walter H. C. Silva
Segue o Relato:
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| Capa da Edição atual do livro |
Dia do Senhor, 29 de Dezembro.
Preguei baseado em João 3.1-5. Estavam presentes alguns brancos, como é comum
aos domingos. Meu sermão foi revestido de poder, parecendo exercer uma
influência silenciosa, mas profunda e trespassante sobre a audiência. Muitas
pessoas choravam e soluçavam com grande sentimento, tanto os civilizados como
os índios. Alguns não conseguiam chorar senão em voz alta, mas não muitos. As
impressões deixadas sobre os seus corações manifestaram-se principalmente pela
maneira como se mostravam intensamente atentos, e pelos suspiros e lágrimas.
Terminado
o culto público voltei para minha casa, resolvido a pregar novamente após um
breve período de descanso. Mas as pessoas logo começaram a chegar, uma após
outra, com olhos marejados de lágrimas, a fim de saber "o que deveriam
fazer para serem salvas". O Espírito fixara de tal maneira, em seus
corações, o que eu lhes dissera, que minha casa em breve ressoava de clamores
e gemidos. Todos acabaram reunidos de novo em minha residência; e aqueles sobre
os quais eu tinha razão de pensar que ainda estavam sem Cristo, foram quase
todos envolvidos pela preocupação com as suas almas. Foram momentos
extraordinários de poder espiritual. Parecia que Deus abrira os céus e tinha
descido à terra. Tão espantosamente dominante foi a operação do Espírito sobre
pessoas idosas e jovens, que parecia que ninguém ficaria seguro em seu estado
natural, mas que Deus estava prestes a converter o mundo inteiro. Isto levou-me
a pensar que nunca mais deveria me desesperar sobre a conversão de qualquer
homem ou mulher, sejam eles quem forem ou o que quiserem fazer.
É-me
impossível apresentar uma descrição vívida e justa, nessa oportunidade; pelo
menos uma descrição que transmita uma ideia clara e adequada dos efeitos dessa
influência espiritual. Muitas pessoas podiam agora ser vistas regozijando-se
que Deus não afastara deste lugar a poderosa influência de seu bendito Espírito.
Ficaram revigoradas por ver tantos outros esforçando-se por entrar pela porta
estreita, e animadas pela grande preocupação com eles, a tal ponto que queriam
"empurrá-los em direção à porta", conforme alguns expressaram. Ao
mesmo tempo, um bom número de homens e mulheres, idosos e jovens, podiam ser
vistos em lágrimas; outros estavam em angústia de espírito, e suas fisionomias
pareciam ser de malfeitores condenados, que já estivessem sendo conduzidos ao
lugar de execução, com uma forte tensão emocional estampada em seus rostos.
Conforme cheguei a pensar, eu estava presenciando uma amostra do que sucederá
no solene dia de prestação de contas: um misto de céu e inferno, de alegria e
angústia inexprimíveis.
A
preocupação e a afeição religiosa eram tais que eu não poderia nem pensar em
dirigir qualquer ensino religioso formal entre eles. Por isso passei o tempo
conversando com um ou outro, conforme sentia ser mais apropriado e oportuno
para cada um. Havia instantes em que podia dirigir-me a todos, coletivamente.
Finalmente, concluí tudo com uma oração. Tais eram as circunstâncias entre eles
que dificilmente eu poderia descansar meia hora sem atendê-los continuamente. Isso
prosseguiu desde cerca de meia hora antes do meio-dia, quando dei início ao
culto público, até depois das sete horas da noite. Hoje e na noite
anterior, parece que houve umas quatro ou cinco pessoas recém-despertadas;
algumas chegaram entre nós bem recentemente.

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho
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