quarta-feira, 3 de setembro de 2014

DAVID BRAINERD E PREGADORES ATUAIS - Lição de Moral




O texto a seguir está registrado no livro "A vida de David Brainerd", compilado por Jonathan Edwards, Pag. 107, do dia 29/12/1745.

O texto por si só se justifica. Não é crítica, é auto avaliação do que realmente cremos, e de que forma temos esperança naquilo que cremos.

Pra quem não conhece, David Brainerd foi missionários nas tribos de índios Pele Vermelha, tendo morrido aos 29 anos. Contudo, sua vida e devoção ficou marcado na história, e impulsiona muitos missionários até hoje, incentivado-os a repetir o mesmo feito, através da coragem e confiança em Deus. O livro, na verdade, trata-se de um diário, e vale muito a pena ser comprado e lido. 



Deus Abençoe a todos!

Walter H. C. Silva

Segue o Relato: 


Capa da Edição atual do livro

Dia do Senhor, 29 de Dezembro. Preguei baseado em João 3.1-5. Estavam presentes alguns brancos, como é comum aos domingos. Meu sermão foi revestido de poder, parecendo exercer uma influência silen­ciosa, mas profunda e trespassante sobre a audiência. Muitas pessoas choravam e soluçavam com grande sentimento, tanto os civilizados como os índios. Alguns não conseguiam chorar senão em voz alta, mas não muitos. As impressões deixadas sobre os seus corações manifestaram-se principalmente pela maneira como se mostravam intensamente atentos, e pelos suspiros e lágrimas.

Terminado o culto público voltei para minha casa, resolvido a pregar novamente após um breve período de descanso. Mas as pessoas logo começaram a chegar, uma após outra, com olhos marejados de lágrimas, a fim de saber "o que deveriam fazer para serem salvas". O Espírito fixara de tal maneira, em seus corações, o que eu lhes dis­sera, que minha casa em breve ressoava de clamores e gemidos. Todos acabaram reunidos de novo em minha residência; e aqueles sobre os quais eu tinha razão de pensar que ainda estavam sem Cristo, foram quase todos envolvidos pela preocupação com as suas almas. Foram momentos extraordinários de poder espiritual. Parecia que Deus abrira os céus e tinha descido à terra. Tão espantosamente dominante foi a operação do Espírito sobre pessoas idosas e jovens, que parecia que ninguém ficaria seguro em seu estado natural, mas que Deus estava prestes a converter o mundo inteiro. Isto levou-me a pensar que nunca mais deveria me desesperar sobre a conversão de qualquer homem ou mulher, sejam eles quem forem ou o que quiserem fazer.

É-me impossível apresentar uma descrição vívida e justa, nessa oportunidade; pelo menos uma descrição que transmita uma ideia clara e adequada dos efeitos dessa influência espiritual. Muitas pessoas podiam agora ser vistas regozijando-se que Deus não afastara deste lugar a poderosa influência de seu bendito Espírito. Ficaram revigoradas por ver tantos outros esforçando-se por entrar pela porta estreita, e animadas pela grande preocupação com eles, a tal ponto que queriam "empurrá-los em direção à porta", conforme alguns expressaram. Ao mesmo tempo, um bom número de homens e mulheres, idosos e jovens, podiam ser vistos em lágrimas; outros estavam em angústia de espírito, e suas fi­sionomias pareciam ser de malfeitores condenados, que já estivessem sendo conduzidos ao lugar de execução, com uma forte tensão emocional estampada em seus rostos. Conforme cheguei a pensar, eu estava pre­senciando uma amostra do que sucederá no solene dia de prestação de contas: um misto de céu e inferno, de alegria e angústia inexprimíveis.

A preocupação e a afeição religiosa eram tais que eu não poderia nem pensar em dirigir qualquer ensino religioso formal entre eles. Por isso passei o tempo conversando com um ou outro, conforme sentia ser mais apropriado e oportuno para cada um. Havia instantes em que podia dirigir-me a todos, coletivamente. Finalmente, concluí tudo com uma oração. Tais eram as circunstâncias entre eles que dificilmente eu poderia descansar meia hora sem atendê-los continuamente. Isso prosseguiu desde cerca de meia hora antes do meio-dia, quando dei início ao culto público, até depois das sete horas da noite. Hoje e na noite anterior, parece que houve umas quatro ou cinco pessoas recém-despertadas; algumas che­garam entre nós bem recentemente.

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"Todo aquele que ler estas explanações, quando tiver certeza do que afirmo, caminhe lado a lado comigo; quando duvidar como eu, investigue comigo; quando reconhecer que foi seu o erro, venha ter comigo; se o erro for meu, chame minha atenção. Assim haveremos de palmilhar juntos o caminho da caridade em direção àquele de quem está dito: Buscai sempre a Sua face." Agostinho

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