“...menciono isso
para que vocês sejam salvos” – João 5:34
O contexto
dessa passagem nos ensina algo muito prático nos dias de hoje, dizer a verdade,
e nos dá um motivo justo: Salvação alheia! Ao contrário do que possa parecer, o
confronto não é sempre ruim. Se o confronto for verdadeiro e amoroso, ainda que
pareça algo ruim, o motivo deve ser justo: “menciono isso para que vocês sejam
salvos”, disse Jesus.
O contexto
da passagem nos mostra Jesus tendo um ministério atuante, pregando a mensagem
de salvação, curando muitos enfermos e expulsando muitos demônios. Aqui, após
Ele ter curado um homem paralítico, foi visto outra vez no templo, e passou a
ser perseguido pelos judeus. João afirma que tal perseguição se dera porque Ele
fazia essas coisas no sábado (V. 9 e 16). Aqui está a razão, Jesus fazia o que
para os judeus não era lícito fazer no sábado. Entretanto, Jesus não se curvou
a tais ameaças. Ao contrário, ele enfrentou os fariseus em várias ocasiões,
tendo demonstrado razões contundentes de que era assim que deveria ser.
A primeira
razão consistia na salvação daqueles que precisavam daquela mensagem, daqueles
milagres, eles eram o alvo do ministério, graça, misericórdia e compaixão de
Jesus. Aquelas ovelhas eram a razão da sua vida. A segunda razão, não menos importante,
ele demonstrou nesse discurso de João 5, isto é, para que vocês (fariseus) sejam salvos.
Na nossa época,
geralmente evitamos o confronto com a falsa idéia de que debater é ruim, “discutir”
doutrina não traz benefício algum. Essa atitude não pode ser vista em Jesus. Você
nunca o verá fugindo de confronto, e geralmente Ele faz isso na frente do povo,
diante das multidões. Os argumentos de Jesus são tão verdadeiros, que algumas
vezes os judeus se calavam para não perderem o debate (Mc 11:27-33). A desconstrução
das idéias farisaicas não apenas dava aos argumentos de Jesus a credibilidade, visto que falava
com autoridade (Lc 4:32), mas provavam, incontestavelmente, que os fariseus
estavam errados.
Na nossa
geração humanista, não se discute teologia para não causar divisão. Mas esse
pobre argumento é destruído se comparado com as atitudes de Jesus. Ele era o
homem amoroso, misericordioso, mas a outra face de Jesus, geralmente esquecida,
é que ele era impetuoso, muitas vezes agressivo em seus argumentos (raça de
víboras certamente não era um elogio) e questionador.
A pobreza
dessa falácia, isto é, não discutir doutrina em razão do bom convívio, volta-se
contra si mesmo quando tal silêncio implica na proliferação generalizada de
falsas doutrinas, falsos mestres, falsas igrejas, falsos cristãos. Silenciar diante
de uma construção equivocada do Evangelho é simplesmente concordar com tal
ensino. Nas palavras de David Wilkerson, é fornicar com tal doutrina. A comparação
do crente com o cão que late ao ver seu dono ser atacado, feita por João
Calvino, é prudente e relevante, pois o crente que silencia ao ver a doutrina
pura de Jesus ser atacada é um covarde. John Piper também nos oferece uma
diretriz significativa sobre o assunto, afirmando que um homem que procura
envolver-se em discussões teológicas apenas para discutir, mostrar
conhecimento, é, na verdade, um orgulhoso; mas o homem que foge das discussões
em razão da boa vizinhança, achando que faz o bem, é, na verdade, um covarde.
Vemos
muitos debatedores, essencialmente os novos calvinistas, que pensam que todo
aquele que não crê na doutrina da Eleição é herege, mas não achamos muitos
defensores da verdade, a verdade de Cristo. Assim como Ele fez, assim devemos
fazer (Jo 13:15). Cristo não se omitiu, nem evitou confronto por estar na
frente do povo. Não devemos evitar, para que sejam salvos os que estão sendo
enganados, e, se Deus quiser, os que estão enganando, conscientemente ou não. Paulo,
o apóstolo, orientou o jovem Timóteo da mesma maneira:
“Deve corrigir com mansidão os que se
lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os
ao conhecimento da verdade” 2 Tm 2:25.
Observando
o texto acima, cremos que a atual inércia dessa geração de crentes apoia-se
mais em conselheiros psicológicos, humanísticos, culturais e comunitários do
que no velho cristianismo. Em uma cultura como o nossa, Paulo certamente repetiria essa conclusão: “Admiro-me de
que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça
de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho” Gálatas
1:6-7.
Com
isso, entretanto, não quero dizer que devemos sair por aí procurando debates,
mas não podemos simplesmente esquivar-nos em detrimento da política da boa
vizinhança. Não nos esqueçamos que não houve boa vizinhança entre os apóstolos
e aqueles que pervertiam o evangelho (Gl 1:8; 1 Tm 1:20; 1 Co 5:5; 1 Tm 5:15; 2
Jo 1:10-11).
Que o Senhor nos
dê discernimento e sabedoria para agir com mansidão, amor, paz, e também com
intrepidez, ousadia, sensatez e energia, quando for preciso, “...menciono isso para que sejam salvos” – João 5:34.
Walter H. C. Silva
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Bom dia irmão,
ResponderExcluirna realidade é isso que geralmente fazemos, cultivar a boa vizinhança,
Deus os abençoe,
Mauro Miguel
Li seu texto....gostei ,muito edificante.
ResponderExcluirGrata.
Maria Luiza
Bom dia maninho Walter,
ResponderExcluirAchei muito significativa, esclarecedora e abençoadora a sua argumentação! Vejo que não estou totalmente errado quanto alguns pontos de vista e percebi que agora é hora de me calar. Não devemos omitir e muito menos fugir de uma discussão teológica por medo de facção, mas devemos ser objetivos, em amor, trazendo a verdade no intuito da salvação do irmão (para que nenhum se perca) mas, depois de feito isso, “Se alguém não os receber nem ouvir suas palavras, sacudam a poeira dos pés” (Mt 10:14). Estou certo?
Olá amigão...
ExcluirIsso mesmo... Você está certo...
Depois Leia 2º e 3º João (um capítulo só), pra você ver a diferença entre receber um irmão que professa fé e não receber aquele que quer permanecer no erro.
Em um, João nos diz que devemos prezar e zelar por aqueles que fazem o esforço de pregarem a verdade; na outra, João escreve a uma senhora pra dizer que ela deve permanecer longe de pessoas que ensinam falsas doutrinas, chegando ao ponto de dizer que ela nem mesmo deve saudá-los (no sentido de concordar ou ficar apático ao falso ensino), pois se fizer isso, seria como fornicar com aquele ensino (fornicar no sentido de sentir prazer na mentira do ensino).
Então, tem hora de calar realmente (Até o insensato passará por sábio, se ficar quieto, e, se contiver a língua, parecerá que tem discernimento – Pv 17:28), mas as vezes o silencia pode causar morte de outras pessoas.
Deus o guiará na hora certa, calando-o ou usando-o como voz profética da verdade, você é uma vaso e tanto meu irmão...
Lembre sempre de Mateus 10, somos ovelhas em meio a lobos, e também “não se preocupem quanto ao que dizer, ou como dizer. Naquela hora lhes será dado o que dizer, pois não serão vocês que estarão falando, mas o Espírito do Pai de vocês falará por intermédio de vocês” Mateus 10:19-20